Médico depõe na PF e nega envolvimento em tráfico
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quarta-feira, 24 de março de 1999
Luciana Pombo 
A Polícia Federal de Florianópolis ouviu na tarde de segunda-feira, o médico Fauzi Farah e a mulher dele Nancy Farah, acusados de participação no tráfico e comercialização de bebês na cidade de Caçador, em Santa Catarina. De acordo com o inquérito policial, eles seriam os intermediadores nas negociações entre as gestantes e os pais adotivos. O casal acolhia as gestantes e encaminhava os bebês para os futuros pais, afirma o delegado Ildo Rosa, porta-voz da Polícia Federal.
Farah e a mulher chegaram em Florianópolis acompanhados de dois advogados. Eles foram ouvidos por quase duas horas e liberados em seguida. Rosa diz que os depoimentos não trouxeram novidades para o inquérito policial. Mas as suspeitas foram reforçadas. Aconteceu o esperado e o médico afirmou que apenas quis ajudar as mães das crianças e por isto fez a intermediação de bebês a pais adotivos, afirma Rosa.
Não convincente - Para o delegado, a versão do médico não foi convincente. Rosa cita como exemplo o inquérito aberto em 1994, em Caçador, quando Farah teria facilitado uma adoção à brasileira, entregando uma criança a um casal de São Paulo. Seria muito imprudente que, depois de ter respondido um inquérito policial, ele continuasse fazendo este tipo de transação por ser um homem de bem, salienta.
Outro ponto questionado pela polícia é a atuação do casal. Se eles queriam ajudar, porque não ajudaram amigos ou parentes, questiona Rosa. De acordo com ele, todos os supostos beneficiados com a adoção eram desconhecidos. Não podemos acolher este tipo de depoimento, eles estão nos autos, mas são questionáveis, alega.
Nancy Farah não quis responder a maioria das perguntas feitas pelos agentes federais. Segundo Rosa, ela alegou que só irá depor em juízo.
A Polícia Federal continuará as investigações e deverá ouvir, nos próximos dias, as supostas vítimas de Caçador. De acordo com Rosa, a intenção é terminar o inquérito ainda este mês. O inquérito já foi relatado, vamos incluir alguns detalhes antes de remetê-lo ao Ministério Público, afirma.


