Kraw PenasChumbo grossoRandas Batista, inventor da técnica de cirurgia cardíaca do ‘naco’, foi acusado de furto pelo diretor do Hospital Angelina Caron: ‘‘Agora todo mundo vai saber quem é o verdadeiro ladrão’’. ‘‘Prefiro vender coco na feira a trabalhar em um local onde não existe ética’’.O médico cardiologista Randas Batista, inventor da técnica de cirurgia do ‘naco’, está denunciando a direção do Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul, por cobrar dos pacientes valores entre R$ 500 e R$ 1 mil para realizar operações cobertas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Randas, que havia pedido demissão do hospital na sexta-feira da semana passada alegando ‘‘motivos pessoais’’, resolveu revelar a verdadeira causa do seu afastamento depois de saber que foi acusado por furto pelo diretor do hospital, Pedro Ernesto Caron. ‘‘Agora todo mundo vai saber quem é o verdadeiro ladrão’’, ameaça Randas.
O cardiologista afirma que vários pacientes atendidos pelo SUS disseram ter pago pelas cirurgias cardíacas a uma das secretárias do hospital, que se apresentava como ‘‘dra. Célia’’. O médico disse que, assim que teve conhecimento da irregularidade, comunicou o fato à diretoria do hospital, mas nada foi apurado. Randas afirma também que, nos últimos meses, vários pacientes seus foram ‘‘desviados’’ para outros médicos. O diretor Pedro Ernesto Caron acusa o médico de estar mentindo.
A briga entre o cardiologista e a direção se tornou pública anteontem, depois que Randas foi proibido de entrar no hospital e de visitar seus pacientes sem acompanhamento de seguranças. ‘‘Eles cutucaram a onça e agora terão de aguentar as consequências’’, diz. Segundo a queixa registrada na delegacia da cidade pelo diretor Pedro Caron, Randas Batista exagerou na desocupação de seu consultório no hospital, levando um videocassete, um computador, uma impressora e alguns equipamentos cirúrgicos que pertenceriam à instituição. O médico diz que tudo não passa de uma confusão feita por sua secretária.
Ontem pela manhã, seguindo ordens da delegada de polícia Mônica Meister, o médico compareceu ao hospital para devolver os equipamentos. Durante todo o tempo em que esteve reunido com os diretores e durante a visita a seus pacientes, Randas gravou tudo com uma filmadora.
Esta não é a primeira vez que o cardiologista se desentende com administração do hospital onde trabalha. Em 1987, quando realizava as primeiras cirurgias cardíacas no Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba, Randas foi demitido porque ameaçou denunciar irregularidades no atendimento aos internados na UTI. ‘‘Prefiro vender coco na feira a trabalhar em um local onde não existe ética’’, afirma.

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