Se existe alternativa para o amálgama, ela deve ser utilizada. Pelo menos é essa a opinião do médico Tsutomu Higashi, pesquisador em medicina ortomolecular e que tem clínica em Londrina. Ele acredita que, com o passar do tempo, o amálgama pode liberar mercúrio no organismo do paciente e provocar intoxicação crônica.
Uma das principais patologias provocadas são as alterações no sistema nervoso, sobretudo a depressão. Insônia, fadiga, perda de memória e alergia também são sintomas previstos. Em dose elevada, pode causar paralisia e até cegueira.
Por conta dos riscos, há cerca de três anos ele elaborou um trabalho alertando os dentistas de Londrina sobre a utilização do mercúrio. Poucos se interessaram pelo trabalho. ‘‘Por mais que se tome cuidado na hora da manipulação, pode haver acidentes. O risco também é do dentista’’, aponta.
Na mesma época, o médico fez uma pesquisa com 78 pessoas da cidade, através do exame de cabelo (minerolograma) e constatou que 11% delas estavam com níveis acima dos valores mínimos aceitáveis nos Estados Unidos. ‘‘Possivelmente, alguns desses casos foram causados pelo uso do amálgama.’’
Tsutomu Higashi cita também outra pesquisa realizada nos Estados Unidos e publicada no último mês no ‘‘Journal of Advancemente in Medicine’’, apontando que o surgimento de problemas no sistema nervoso - entre eles irritabilidade, insônia, ansiedade, depressão, fadiga, dor de cabeça e tremores - era mais comum em pacientes que têm amálgama nos dentes.
Por isso, o médico acredita que deve valer o bom senso na hora da escolha do material a ser utilizado nas restaurações dentárias. O pesquisador admite que no País ainda são poucos os estudos realizados na área para definir exatamente quais os níveis de contaminação do mercúrio causado pela amálgama entre os brasileiros. ‘‘Hoje, em nosso país, o que falta são pesquisas.’’
O uso do amálgama tem causado polêmica já há alguns anos. Alguns países já proibiram a sua utilização. O principal motivo da discussão está na composição do material, que se constitui numa mistura denominada limalho, que é o pó composto de vários metais, como a prata, o estanho e o zinco, com o mercúrio, que serve para dar liga à mistura, reagindo com os outros materiais.
Mas nem todo mundo pensa assim. No Brasil, por exemplo, a utilização do amálgama em restaurações dentárias ainda é defendida pela maior parte dos profissionais de Odontologia. A professora Eloisa Aranda de Souza Ribeiro, da disciplina Materiais Dentários da Universidade Estadual de Londrina e mestre na área pela Universidade de Campinas (Unicamp), considera que o material, além de mais barato, é em média sete a dez vezes mais resistente do que a resina composta, podendo durar, dependendo da qualidade do material e do cuidado do paciente, até 20 anos.
A professora explica que o amálgama é ideal para restaurações de dentes posteriores, como molares e pré-molares. Nestes casos, a utilização da resina por exemplo, não seria indicada porque o material é menos resistente, sofre mais as influências da temperatura e, com o tempo, possibilita a infiltração de bactérias. O amálgama, ao contrário, com o tempo melhora a vedação da cavidade obturada.
Sobre os riscos de intoxicação, Eloisa Ribeiro afirma que se for utilizado um material de boa procedência e a manipulação seguir rigorosamente as indicações do fabricante, a ingestão do mercúrio pelo organismo pode ser considerada desprezível. ‘‘Na verdade, a limalha reage e minimiza a ação do mercúrio.’’Paulo WolfgangContraEloisa Aranda Ribeiro: ‘‘Amálgama é resistente e nível de intoxicação, desprezível’’Lúcio Horta

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