ReproduçãoO corpo de um homem encontrado quinta-feira à tarde no meio de uma plantação de milho, próximo ao Rio Couro do Boi, em Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina), foi identificado como sendo do médico cardiologista Francisco de Assis Coimbra Júnior, 38, que está desaparecido desde o dia 22 de julho em Maringá. O reconhecimento do corpo foi feito pelo dentista Mauro Rui Pinto Mendes, através da análise da arcada dentária. Coimbra era paciente do dentista.
De acordo com o delegado adjunto da 9ª Subdivisão Policial de Maringá, Roberto Fernandes, a notícia publicada na edição de sábado da Folha, sobre um corpo encontrado num milharal em Sertanópolis, despertou o interesse de familiares do médico que comunicaram a delegacia de Maringá. ‘‘Como era final de semana, liguei para o IML de Londrina no domingo para obter informações sobre o corpo e suas características’’, disse o delegado. Diante dos indícios de que poderia ser o médico, Fernandes e o dentista Mauro Mendes seguiram para Londrina anteontem. ‘‘O dentista reconheceu na hora a arcada dentária do médico’’, contou Fernandes.
O corpo foi encontrado nu, sem nenhum objeto que pudesse identificar a vítima. Conforme Fernandes, há uma fratura ‘‘muito grande’’ no crânio e duas perfurações. Um projétil encontrado no interior do crânio foi encaminhado para exame de balística. O corpo estava em avançado estado de decomposição.
Ontem de manhã, o sogro do cardiologista, o técnico agrícola Rui Alves Henriques disse que a família de Coimbra não acreditava na identificação do corpo. Ele afirmou que a mulher de Coimbra e os demais familiares ainda tinham esperança de que o laudo do IML de Londrina não confirmasse a morte do médico. Segundo Henriques, o genro não tinha motivos para ser morto por vingança, como suspeita a polícia. ‘‘Que crime pode ter cometido um homem que trabalhava salvando vidas?’’, indagou.
Para o delegado Fernandes, a forma como foi deixado o corpo e como a vítima foi morta caracteriza crime por vingança. ‘‘Certamente foi um crime por vingança, agora precisamos descobrir vingança do que’’, afirmou. O médico teria sido morto num local e o corpo ‘‘desovado’’ no milharal. As investigações seguirão na tentativa de identificar o Omega escuro que foi visto por volta das 6h30 do dia 22 de julho nas imediações da clínica do cardiologista. A única pista que a polícia de Maringá tem é que o carro tinha placa de Bauru (SP). ‘‘Tudo leva a crer que os assassinos são do interior de São Paulo, porque o local onde foi encontrado o corpo é caminho para Assis, Ourinhos e Bauru’’, disse Fernandes.
Juntamente com o delegado de Sertanópolis, Marcos Roberto Guazzi Belinati, o delegado Fernandes esteve ontem de manhã no local onde o corpo foi encontrado. A equipe policial procurava pistas que pudessem levar aos autores do crime.
A casa mais próxima fica cerca de 800 metros do local. Ali, ninguém ouviu tiros. Segundo Marcos Belinati, o crime deve ter acontecido durante o dia, pois a porteira da fazenda fica fechada à noite. ‘‘Tudo indica que foi execução, pois o corpo estava de bruços. Ele provavelmente foi colocado de joelho antes de receber os tiros’’, comentou.
A polícia recolheu partes das marcas do corpo que ficaram no chão, amostras de materiais que podem ser considerados resíduos dos tiros disparados. Como há duas perfurações à bala no crânio e somente um projétil foi encontrado, a polícia tenta localizar vestígios do segundo tiro.
Durante a manhã de ontem os policiais também procuravam alguma peça de roupa ou objeto pessoal. ‘‘Este é um quebra-cabeça complicado. Desde o desaparecimento não houve contato com a família. Tentamos descobrir por que o médico foi executado há mais de 20 dias numa propriedade distante cerca de 150 quilômetros de Maringᒒ, ressaltou Roberto Fernandes.Mário CésarInvestigaçãoDelegados e policiais colhem pistas no local onde o corpo de Francisco Coimbra (destaque) foi encontradoLucinéia Parra e
Alexandre Sanches

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