Aos 93 anos, o médico paulista José Rosemberg não quer saber de descansar ou mesmo parar com sua luta contra o fumo. Viaja pelo Brasil ministrando palestras e discutindo novas ações para a campanha. Ontem, ele esteve em Londrina para celebrar o primeiro ano do Programa de Abandono do Tabagismo, coordenado pela fisioterapeuta Ana Luisa Oliveira Prado Souza e pela dentista Andrea Carraro de Oliveira e desenvolvido no Hospital do Coração.
Um dos primeiros a falar em anti-tabagismo no País, no início dos anos 1970, Rosemberg é o único latino-americano a receber a medalha Tabaco e Sa© úde da Organização Mundial de Saúde (OMS). Em mais de 30 anos, já publicou mais de 200 trabalhos, incluindo livros e monografias. O médico também participou ''do primeiro plano de luta contra o tabaco no País. Em 1983, os encontros em Brasília eram sigilosos por causa de uma pressão da indústria tabaqueira'', lembra Rosemberg, que esteve presente nas reuniões que criaram o dia nacional da luta contra o fumo, comemorado no dia 29 de agosto.
Para Rosemberg, existe a necessidade de promover leis e programas educacionais que previnam crianças e adolescentes a terem o primeiro contato com o cigarro. ''Parar é mais difícil porque a nicotina é uma droga que gera dependência'', explica. Segundo o médico, ''só deixa de fumar quem quer'', garante. O método mais eficaz, avisa Rosemberg, ''é a reposição de nicotina, diminuindo progressivamente as doses e a vontade de fumar''.
''Os Estados Unidos estão desenvolvendo uma vacina contra o fumo e que vai revolucionar'', afirma Rosemberg. ''Na Inglaterra, existem unidades de tratamento anti-tabagistas em todos os centros de sa© úde. No Brasil, uma portaria está para ser lançada e vai criar uma rede nacional de atendimento'', antecipa o médico.

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