As pessoas vivem os primeiros 50 anos pensando no futuro - na formação escolar, na profissão, na família e nos filhos. Depois vivem 10 anos no presente, e o resto da vida no passado, lamentando e superestimando a juventude. ‘‘Se a pessoa chegar aos 50 com saúde, o futuro pode ser a melhor época de sua vida. Os filhos já estão criados e ela pode viver para si, se dedicando às coisas que sempre quis’’, acredita o geriatra Wesley Vilas Boas de Oliveira.
Para ele a ‘‘alegria de viver’’ e a prevenção são as únicas garantias de um envelhecimento com qualidade de vida. ‘‘O governo faz pouco para melhorar a vida dos idosos. A estrutura sócio-econômica do País exclui o idoso. E a aposentadoria é uma lástima. Mas tudo isto pode ser driblado se a pessoa cultivar a alegria de viver e investir em saúde’’, afirma.
César AugustoMaria Lúcia Rangel, 82 anos, vive há dois no Asilo São Vicente de Paulo: reconhecimento na juventudeO geriatra enfatiza que uma coisa está amarrada a outra. ‘‘Não há qualidade de vida sem saúde e não existe saúde sem prazer de viver’’, reforça. Atividade física e amor próprio estão na lista do médico como receitas básicas para uma vida com qualidade. O resto, diz, é consequência.
Ele admite que o fator cultural é um grande peso para quem envelhece. O geriatra afirma que o brasileiro não se preocupa com prevenção porque a palavra ainda não está incluída no seu dicionário de vida. ‘‘Basta ver que só recentemente começamos a considerar necessário fazer seguro do carro, da casa e de saúde’’, exemplifica. Na característica mania de deixar tudo para a última hora, diz, o brasileiro só procura atendimento quando já está doente.
O mesmo, acrescenta Oliveira, acontece com os idosos. Segundo ele a maioria chega ao consultório com idade avançada e problemas de saúde instalados. ‘‘Aí eu pergunto de quem é a culpa e eles respondem que é do governo. Mas não é verdade. O que eles fizeram para não ficar doentes? A verdade é que nós não fazemos a nossa parte’’, questiona.
Quando lista o que faz a pessoa envelhecer sem qualidade de vida, o médico põe no topo da lista o stress. ‘‘Muitos dizem que é difícil fugir do stress. Não é fácil não, mas é preciso definir antes de tudo o que se deseja da vida’’, comenta. ‘‘Se conviver com seu chefe é difícil, você só tem duas alternativas, ou pede demissão ou aprende a gostar do seu chefe. Não precisa morrer de amores, só conviver. Isto se chama administrar os problemas’’, argumenta.
Se o problema é se sentir útil, diz, tem sempre as atividades voluntárias da igreja mais próxima; da associação de bairro e das instituições e grupos que trabalham com a terceira idade. Continuar se sentindo útil e aceito pela comunidade é importante para qualquer pessoa, afirma o médico. Mas ele argumenta que a auto-estima tem de ser cultivada desde cedo, com atenção ao corpo e à mente. ‘‘Eu sempre digo que temos de viver todo dia como se fosse o último e estabelecer metas como se tivéssemos a eternidade pela frente’’, conclui.

mockup