Sid Sauer
De Campo Mourão
Menos de um ano depois de ser implantado na Vila Guarujá, o bairro mais pobre de Campo Mourão, o programa Médico da Família, rebatizado de ‘‘Família Saudável’’, já conseguiu reduzir o número de consultas no posto de saúde da comunidade. A diminução na procura é mais claramente percebida nos casos de diarréia entre as crianças. Também caiu o número de faltas entre as consultas de pré-natal. A Vila Guarujá fica ao lado do lixão do cidade.
‘‘Os moradores do bairro já se mostram mais conscientes com relação aos cuidados com a saúde’’, diz a médica Lisiane Frantz, que trabalha no programa desde a sua elaboração, em abril do ano passado. Das cinco atuais gestantes do bairro, por exemplo, quatro comparecem religiosamente às consultas agendadas. A única que ainda oferece resistência ao programa é visitada em casa. ‘‘Isso garante partos mais seguros e menos problemas após a gestação’’.
A puericultura – acompanhamento médico de crianças com até 2 anos de idade –, também ganhou força no bairro. ‘‘As mães responderam de forma positiva, levando os bebês sempre que marcado para o acompanhamento e muitos casos de perda de peso já foram revertidos’’, frisa Lisiane. De acordo com ela, o trabalho está mudando o atendimento em saúde porque interage com a comunidade, criando vínculos entre o médico e a comunidade.
‘‘As pessoas estão aceitando bem as orientações’’, diz a enfermeira Valéria Moraes, que também faz parte do programa. ‘‘Quando uma criança tem um problema, a mãe já sabe o que fazer sem precisar procurar uma consulta’’, explica. O número de consultas também caiu porque, através das visitas domiciliares, foi constatado que o problema de muitos era psicológico. Esses casos foram encaminhados para outro programa, o ‘‘Saúde Mental’’.
As visitas domiciliares da médica só acontecem às quartas-feiras à tarde, mas o programa conta com o trablaho de agentes comunitários que ‘‘pesquisam’’ a situação dos moradores do bairro. Na quarta-feira, a aposentada Cornélia Lopes dos Santos, 73 anos, foi visitada pela médica. ‘‘Antes a gente tinha que ir sofrendo atrás de um médico. Agora é a médica que vem na minha casa’’, disse, orgulhosa. ‘‘Nunca mais precisei consultar lá em cima (no posto)’’.

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