Médico culpa postos pela morte de menina
PUBLICAÇÃO
domingo, 01 de junho de 1997
Marccio W. Varella, de Maringá 
O médico-chefe do setor de Pediatria do Hospital Universitário de Maringá (HU), José Carlos Amador, culpou a falta de estrutura dos postos municipais de saúde pela morte da estudante Flávia Aparecida Schiavon da Silva, de 13 anos, ocorrida há uma semana no NIS da Zona Norte (posto de saúde).
Segundo Amador, não existe estrutura adequada para pronto atendimento nos 26 postos de saúde de Maringá. Mesmo que o HU tivesse suas UTIs funcionando, a menina morreria porque não temos um neurocirurgião. O que ocorre é que os salários são baixos. Flávia teve o céu da boca perfurado por uma caneta às 8 horas, quando estava na escola, e onde recebeu os primeiros socorros e foi encaminhada ao posto de saúde. Às 10h40 médicos do PA (Pronto-Atendimento) da Zona Sul pediram à Central de Vagas do SUS um neurocirurgião para atendê-la.
Flávia esperou nove horas pelo especialista. Morreu às 20h50 no NIS, para onde havia sido transferida às 18h30.
O médico Amador criticou a construção de novos postos de saúde. Ele diz que a prefeitura lucraria mais se instalasse equipamentos e contratasse especialistas para trabalhar nos postos.
O delegado-adjunto da 9ª Subdivisão Policial, Luiz Norberto Canhoto, que preside o inquérito aberto para investigar as causas da morte da menina, pediu a exumação do corpo de Flávia, que foi sepultada sem que o IML realizasse a necrópsia, a pedido da família. Canhoto quer a necrópsia e nesta semana vai ouvir todos os médicos envolvidos no atendimento de Flávia nos três postos de saúde por onde ela passou. Canhoto está investigando principalmente dois aspectos do caso: a falta de estrutura dos postos de saúde e uma possível sonegação de leitos por parte dos hospitais particulares.
É a primeira vez que a polícia investiga a fundo as mortes ocorridas por falta de atendimento hospitalar em Maringá. Só neste ano, já foram oito os mortos por falta de atendimento adequado.


