Médico culpa mãe por morte
O médico Jefferson Luiz Ferrazzi, 28 anos, do Hospital e Maternidade de Almirante Tamandaré, Região Metropolitana de Curitiba, responsabilizou ontem a dona de casa Cíntia Vieira Dionísio, 20 anos, pela morte da própria filha, Daiane Vieira de Melo Santos, 7 meses. Ele negou ter negligenciado no atendimento à criança, conforme acusou a família de Daiane. A menina morreu na madrugada de anteontem, quatro horas depois de ter sido atendida e liberada pelo médico.
Ferrazzi afirmou ter diagnósticado cuidadosamente a criança, que tinha gastroenterocolite (diarréia e vômito). Ferrazzi disse ter determinado que fosse injetado 3 ml de Plasil, para diminuir o vômito, e receitado Plamet e Sais de Reidratação (soro). Segundo ele, se a mãe de Daiane tivesse dado os remédios, a criança não teria morrido. Cíntia admitiu à Folha que não comprou os medicamentos.
Abatido, Ferrazzi disse ter ficado triste pela morte do bebê e que casos semelhantes são comuns no Brasil. Segundo ele, a menina não apresentava grau de desidratação para internamento. O caso, conforme o médico, seria solucionado com hidratação oral. Se a cada perda de líquido, tivesse havido reposição, o estado de saúde da criança não iria piorar, disse. Ferrazzi afirma ter dito a mãe para dar bastante líquido à criança. Ela não me pareceu ser uma pessoa tão desprovida de informação, disse.
Para Ferrazzi, o fato da menina ter morrido de olhos abertos e dos funcionários da funerária não ter conseguido fechá-los pode estar relacionado a uma crise convulsiva provocada pela perda de líquido. Ele disse, porém, que isso não passa de especulação. O médico negou que possa ter havido, no entanto, um engano durante a aplicação da injeção. Segundo ele, se a enfermeira tivesse aplicado um medicamento impróprio, a reação seria sentida mais imediatamente. Daiane morreu cerca de quatro horas após a injeção.
O laudo da necrópsia, feito pelo médico Giovanni Loddo, do IML de Curitiba, não determinou a causa da morte. Conforme o legista, o resultado ficou na dependência de exames complementares. O pai da menina, o guardador de carros Paulo de Melo Santos, disse que ainda não sabe se irá processar o médico.





