Médico critica nova legislação
O cardiologista Dirceu Rodrigues, chefe da equipe de transplante cardíaco da Escola Paulista de Medicina, da Universidade Federal de São Paulo (UFSP), acredita que a situação na capital paulista, a partir da vigência da nova lei de transplantes, piorou muito. O motivo, segundo ele, é que a população não foi suficientemente esclarecida sobre a questão, o que acabou gerando dúvida, desconfiança e até revolta. Resultado: ao invés de o número de doações aumentar, acabou caindo, a partir de janeiro, e ainda não se recuperou.
Responsável por 107 transplantes de coração no período de 10 anos, Dirceu Rodrigues esteve em Londrina no último final de semana ministrando curso para profissionais da área. O curso foi realizado no auditório da Santa Casa e reuniu mais de 40 participantes. O médico diz que, comparando o número de doações no primeiro mês do ano passado com janeiro de 98, a queda nas doações foi de aproximadamente 50%. O povo da América Latina tem uma cultura muito religiosa e por isso se sentiu agredido com essa lei.
Além do fator cultural, Rodrigues aponta que o principal problema em relação aos transplantes realizados no Brasil não foi observado com a nova lei. Não adianta ter oferta de órgãos se não houver estrutura. Ele diz que os problemas estão concentrados não só na falta de adequação dos hospitais para fazer transplantes, como também na captação dos órgãos.
Dirceu Rodrigues falou aos profissionais de Londrina sobre os diversos aspectos que envolvem um transplante cardíaco, como a indicação do paciente que necessitaria de um novo coração e o momento ideal para realização da cirurgia.
O médico comentou também sobre a atitude do médico Francisco Gregori Júnior que, depois de tentar todas as alternativas convencionais para suturar um corte no coração de uma paciente, acabou utilizando com sucesso a cola Super Bonder. Foi uma saída inteligente, corajosa. Às vezes o médico tem que utilizar a criatividade.





