César AugustoVoz discordanteO neurocirurgião Pedro Garcia Lopes: ‘Se os resultados são iguais, por que uma mudança tão radical?’O novo currículo do curso de Medicina da Universidade Estadual de Londrina encontra na equipe de Clínica Cirúrgica do Hospital Universitário as críticas mais duras. O chefe do setor, médico neurocirurgião Pedro Garcia Lopes, aponta três problemas principais no modelo pedagógico adotado pelo Colegiado do curso, o Problem Basic Learning (Aprendizado Baseado em Problemas).
Na opinião dele, os estudantes brasileiros estão acostumados com o sistema tradicional de ensino, centrado no professor e nos conteúdos. Ele acredita que os acadêmicos de Medicina encontrarão dificuldades em se adaptar ao esquema onde o próprio aluno tem que buscar as respostas para os temas apresentados pelo tutor. ‘‘A mudança teria que ser gradual e começar antes da Universidade.’’
Para Pedro Garcia Lopes, a biblioteca do Centro de Ciências da Saúde (CCS) não está equipada para tirar todas as dúvidas dos alunos e não conta ainda com acesso à Internet. Ele lembra ainda que pesquisas feitas na Holanda, onde o PBL é utilizado, demonstraram que os resultados finais entre o PBL e o método tradicional não são muito diferentes. ‘‘Se os resultados são iguais, por que uma mudanção tão radical?’’, questiona. ‘‘O nível de informação, no método tradicional, é muito maior. Então qual a vantagem do PBL: ensinar o aluno a procurar a resposta?’’
O chefe do departamento de Cirurgia ressalta que na Medicina nenhum formando sai pronto para trabalhar e precisa prestar Residência para se especializar. ‘‘Todos os concursos para Residência Médica se baseiam em informação. É prova de conhecimento. Como o nosso formando vai concorrer em outros locais?’’
Pedro Garcia Lopes diz que não é contra o PBL. Mas ele acredita que os resultados seriam melhores se o modelo fosse implantado não nos primeiros anos, mas numa fase intermediária. O médico se preocupa também com a ausência de cadeiras como Anatomia e teme que as informações faltem quando o aluno chegar ao internato. ‘‘Como ficam a anatomia, a histologia, a citologia?’’. Ele diz que essas são cadeiras básicas, principalmente para um cirurgião.
O chefe do setor de Cirurgia também aponta o fato de o PBL ter nascido na Holanda, um país que, segundo ele, não tem grande destaque dentro da área médica. ‘‘Na Europa, só tem o PBL na Holanda. Se é um método com mais de 20 anos, por que não se difundiu?’’
Para Pedro Garcia Lopes, o novo modelo preocupa-se mais com a formação de médicos generalistas e não especialistas. ‘‘Ele está mais preocupado com saúde pública. Mas a faculdade tem que formar também o especialista’’

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