Médico cria tratamento para coração
Médico cria tratamento para coração
O cirurgião paranaense Randas Batista desenvolveu nova cirurgia que promete a cura para a Síndrome de Eisenmenger
Nova técnica faz
estrangulamento
de artéria pulmonar
para diminuir a pressão
Guilherme Pupo
Arquivo Folha
Randas Batista, conhecido por criar cirurgia inédita, lança nova técnica para o coraçãoO cirurgião paranaense Randas Batista criou uma nova técnica para o tratamento de pacientes com síndrome de Eisenmenger - doença no coração que provoca a falta de oxigênio e o enrijecimento do pulmão. No ano passado, Batista chegou a ser cogitado para receber o prêmio Nobel de Medicina por ter inventado a técnica do naco, que consiste na extração de um pedaço do coração para melhorar o bombeamento de sangue no órgão.
Na nova técnica para o tratamento da síndrome de Eisenmenger, o cardiologista faz um estrangulamento na artéria pulmonar para diminuir a pressão e o oxigênio. Randas Batista já operou 16 pacientes com a nova técnica e, segundo ele, todos passam bem.
Antes desta técnica, o único tratamento indicado era o transplante de coração e pulmão. No Brasil, a mortalidade para esse tipo de transplante ainda é de 100%. Todos os pacientes morrem antes de sair do hospital - durante a cirurgia ou no período pós-operatório. Mesmo nos Estados Unidos, onde há equipamentos mais avançados, o índice de mortalidade é muito alto, diz.
Segundo ele, a doença ocorre principalmente em países em desenvolvimento e pode ser evitada se diagnosticada no início. Os primeiros sintomas aparecem nos primeiros anos de vida, quando a criança apresenta dificuldades respiratórias e uma coloração roxa na pele.
A origem da doença é um defeito no músculo que separa os ventrículos do coração. Com o tempo, isso provoca aumento na pressão e o enrijecimento do pulmão, explica Batista. O tratamento é indicado para pacientes que tenham a doença em um estágio muito avançado, quando não é mais possível a correção do defeito no coração.
Após a operação de estrangulamento, o pulmão retorna à condição normal num período de dois a quatro anos. Em uma segunda operação, o cirurgião corrige o defeito no coração e retira o estrangulamento da artéria.
Dois dos pacientes de Batista já fizeram a segunda cirurgia - um deles paranaense, da região de Cascavel (Oeste do Estado) - e apresentaram boa recuperação.
CaronNo início de março, Randas Batista deixou o Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul (Região Metropolitana de Curitiba), e denunciou irregularidades na cobrança de cirurgias custeadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e pelos planos de saúde no estabelecimento. O Ministério da Saúde ainda está realizando auditorias para investigar a denúncia.





