Médico complementa salário fazendo bicos
Profissionais de carreira do serviço público e autônomos, como administradores, policiais civis, economistas, advogados e médicos, têm salários médios de três a sete vezes maiores que o salário médio dos profissionais de menor rendimento, entre eles os professores.
Mas receber uma boa remuneração requer muito mais do que escolher a profissão em alta. O clínico geral Paulo Eduardo Carvalho da Silva, 25 anos, pensou ter encontrado na medicina do trabalho uma opção para fugir da rotina desgastante dos plantões. Não foi bem assim.
Ele trabalha oito horas por dia numa empresa em Jaguapitã e faz plantões ocasionais em hospitais da cidade e de Sertanópolis e Sertaneja, além de dirigir ambulâncias em Londrina. São esses bicos que complementam o salário de médico examinador que possibilitaram a Paulo comprar um carro e pagar o aluguel do apartamento onde mora, em Londrina, com mais tranquilidade.
Vindo de família humilde de São José dos Pinhais, Silva suou para cursar a faculdade de medicina na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Apesar de ter estudado numa instituição pública, o médico passou aperto para pagar aluguel e comida quando mudou-se para Londrina. Tive de dar meus pulos, oferecendo aulas particulares durante a faculdade, relembra.
Formado há um ano, Silva acredita que o piso salarial do médico no Brasil é bastante defasado, principalmente porque a carga horária da profissão é diferenciada. Tem médico que trabalha 48 horas seguidas sem descanso, vagando de hospital em hospital para cumprir os plantões, assinala.
E a diferença é ainda mais gritante entre os centros urbanos e o interior. Pela falta de mão-de-obra, o piso no interior é maior que na cidade, mas não é todo médico que se sujeita a trabalhar em piores condições, ressalta Silva.
Segundo ele, o salário de um médico do Programa Saúde da Família em Londrina gira em torno de R$ 2,4 mil, enquanto que no interior pode chegar a R$ 4 mil. O valor dos plantões também muda: na cidade, os médicos recebem R$ 350 por um plantão, que num município de pequeno porte pode chegar a R$ 500. (M.G.)





