Londrina

Paulo WolfgangAlertaAlmeida: ‘É preciso encontrar alternativas para conscientizar os homens sobre a sua saúde’A falta de campanhas de esclarecimento e prevenção sobre a saúde do homem tem sacrificado a vida de muitas pessoas que poderiam ter sido salvas com um diagnóstico precoce. ‘‘Enquanto a mulher tem um contato mais frequente com o atendimento médico, seja para atendimento aos filhos ou para exames de pré-natal, o homem não tem o hábito de cuidar da sua saúde e costuma procurar atendimento tarde demais’’, alerta o urologista Silvio Maia de Almeida.
O médico sugere que, com a municipalização da saúde, o município tome a frente neste tipo de trabalho e invista em campanhas de conscientização voltadas para a saúde masculina. Silvio de Almeida explica que qualquer programa tem de passar pela sensibilização e treinamento dos profissionais de saúde das unidades básicas de saúde. ‘‘A maioria da população passa pelos postos. E, se o profissional estiver atento às principais doenças que atacam o homem estaremos viabilizando o diagnóstico precoce e salvando vidas.’’
Uma prioridade, para o urologista, é o combate do câncer de próstata, que atinge hoje no Brasil 3% dos homens com mais de 50 anos. Diferente de outros tipos de câncer - que podem ter a possibilidade de incidência reduzida por hábitos saudáveis - a única prevenção contra o câncer de próstata é o exame. A partir dos 50 anos de idade, a próstata de todos os homens começa a crescer, podendo provocar incômodos como dificuldade para urinar e ardência.
Esses sintomas, no entanto, aparecem em apenas 25% dos homens, e não têm nenhuma relação com o câncer. Almeida esclarece que, na maioria das vezes, o câncer de próstata é assintomático e de crescimento lento. A doença só é diagnosticada através de exame clínico (toque retal) e da dosagem do antígeno prostático específico. Este antígeno é produzido normalmente pela próstata, mas aumenta significativamente em casos de câncer e outras doenças, servindo de aviso.
Em 95, foram tratados 13.800 casos da doença no Brasil. Dessas pessoas, 4.600 morreram - mais de 35%. Um dado do Instituto Nacional do Câncer, no Rio de Janeiro, afirma que 76% dos casos de câncer de próstata que chegam ao hospital estão em estágio avançado, inviabilizando a cura. Diagnosticado precocemente, 80% dos casos têm cura e o índice de óbitos cai para menos de 10%.
Esses números se tornam ainda mais alarmantes se relacionados aos de uma pesquisa feita em Londrina há três anos, durante a Semana de Alerta ao Câncer de Próstata. O resultado, relata Almeida, apontou que 70% dos homens entrevistados nunca havia feito exame de próstata - 60% tinham nível superior ou secundário. O evento foi coordenado pelo urologista Lauro Brandina, então membro do Conselho Brasileiro de Saúde da Próstata. O questionário foi aplicado em homens com mais de 40 anos, no Aeroporto e no Catuaí Shopping Center.
Silvio Almeida explica que, como não existe nenhum trabalho voltado para a saúde básica do homem, não é possível saber se o resultado da pesquisa é efeito da falta de informação, do preconceito ou simplesmente do machismo. ‘‘A única coisa certa é que é preciso encontrar alternativas para atingir e conscientizar os homens sobre a sua saúde.’’
No ano passado, o Conselho Municipal de Saúde de Londrina aprovou a implantação de um projeto de autoria de Almeida, propondo uma campanha permanente de combate ao câncer de próstata. Composto de duas etapas, o projeto propõe a sensibilização e formação dos profissionais de saúde dos postos de saúde. E, em uma segunda fase, uma campanha voltada diretamente para a população.
O custo do projeto foi avaliado e considerado aceitável pelo Conselho. Os exames clínico e laboratorial são cobertos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O impacto do aumento de exames e de cirurgias foi avaliado pelo Conselho, que autorizou a implantação da primeira fase do projeto. Uma campanha similar desenvolvida nos EUA, conseguiu dobrar os diagnósticos precoces de câncer de próstata.

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