Médico argentino defende legalização da eutanásia
Especial para a Folha
A eutanásia, prática de retirar a vida de um doente incurável, sem dor, é uma proposta polêmica e proibida na maior parte dos países, inclusive no Brasil. Apenas na Austrália, Nova Zelândia e na Holanda, a atitude é legalizada. Na opinião do médico argentino José Schavelson, a proibição da eutanásia é uma hipocrisia, já que é comum no dia-a-dia dos hospitais em todo o mundo. Schavelson esteve em Curitiba ontem participando do 8º Encontro Nacional de Psicólogos da Área Hospitalar.
Schavelson acredita que a eutanásia não é um problema de morte, e sim de vida. Se o paciente sofre muito, ou já não responde intelectualmente, ele não deseja a morte, mas sim a vida que não pode mais ter. Assim como acontece nos três países que liberaram a eutanásia, o médico sugere que um corpo clínico estude os casos e seja o responsável pela liberação da retirada da vida do paciente terminal.
Os doentes que já não conseguem responder por suas funções, como respiração, permanecem ligados a aparelhos que fazem o trabalho por ele. Essa condição, chamada de distanásia, pode ser infinita. É o médico quem opta por desligar os aparelhos na hora certa. Mas em grande parte dos casos o que decide o tempo é a quantidade de dinheiro que a família possui, afirma Schavelson.
O encontro de psicologia hospitalar, que reúne 800 participante, será realizado até amanhã, no Hotel Bourbon. Entre os temas que estão sendo discutidos estão a dimensão psicológica da dor e Aids.





