Lucilia Okamura
De Londrina
A reinserção de pessoas da terceira idade no mercado de trabalho é considerada fundamental pelo geriatra Marcos Cabrera, de Londrina. Segundo ele, é preciso analisar que o trabalho, além de ser uma necessidade (muitas pessoas não têm condições de sobreviver somente com o que ganham de aposentadoria), tem também o seu papel terapêutico.
O médico comenta que o sistema previdenciário deixa a desejar e muitos idosos precisam trabalhar porque a aposentadoria não gera autonomia financeira. Mas, segundo ele, o trabalho não deve ser encarado somente como uma forma de ganhar dinheiro. ‘‘Dentro da construção da nossa identidade, é necessário que tenhamos produção’’, observa.
Além disso, o geriatra explica que, do ponto de vista da saúde, o trabalho é fundamental. ‘‘As curvas de mortalidade aumentam demais depois da aposentadoria’’, aponta. ‘‘E casos de demência são frequentes após a suspensão do trabalho’’.
Cabrera diz que é preciso observar ainda que não se está fazendo um favor em oferecer vagas às pessoas da terceira idade. Segundo ele, a sociedade produtiva precisa do que ele chama de ‘‘mão-de-obra amadurecida’’. O médico justifica, dizendo que estas pessoas têm qualidades que merecem ser levadas em consideração, como o jeito de lidar com o ser humano e a sensibilidade que desenvolvem ao longo dos anos. ‘‘Um porteiro com mais idade é mais tranquilo, mais afetivo, que se comunica melhor’’, exemplifica.
A inserção ao mercado de trabalho esbarra, na opinião de Cabrera, em dois aspectos. O primeiro deles é o preconceito. ‘‘Uma pessoa, a partir dos 45 anos, já é considerada velha’’, observa. Mas, segundo Cabrera, o idoso também tem a sua parcela de culpa, já que, geralmente, mostra resistência à atualização. ‘‘Eles não enxergam que a atualização é fundamental’’, afirma.
Falando sobre os centros de convivência ou os chamados clubes de terceira idade, Cabrera diz não tirar o mérito deles. Mas afirma que estas instituições devem ser usadas para atender pessoas que precisam de assistência. ‘‘É preconceituoso, é preciso que a sociedade se abra’’, ressalta. Na sua opinião, um centro de convivência dá a impressão de que o que falta simplesmente para a pessoa é fazer alguma coisa. ‘‘Ele precisa de autonomia para cuidar de seu tempo, de ter lazer, produção e descanso’’.
O geriatra observa que, atualmente, 7% da população é formada por pessoas acima de 60 anos - em Londrina são cerca de 37 mil idosos. A previsão é de que no ano 2020, o índice dobre.

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