Silvana Leão
Com a chegada das festas juninas, aumentam os riscos de acidentes com bombas e fogos de artifício. Embora os hospitais não tenham dados estatísticos sobre o aumento no número de casos de queimaduras decorrentes do uso destes artefatos, é certo que aumenta o índice de atendimentos de lesões provocadas por eles.
De acordo com o médico Sérgio Canavese, chefe do Serviço de Pronto-Socorro da Santa Casa de Londrina, o que mais preocupa não é tanto a área corporal atingida, mas a localização do ferimento, que em se tratando de fogos, geralmente atinge regiões anatômicas nobres como face, olhos e mãos. A faixa etária mais atingida por estes acidentes, segundo o médico, é a que vai da adolescência até por volta dos 40 anos. A grande maioria das vítimas é do sexo masculino.
‘‘Os causadores mais comuns das queimaduras de 3º grau são os rojões. Já as amputações traumáticas de dedos são provocadas geralmente por baterias de tiros. A pessoa acha que falhou ou já acabaram as explosões e volta a pegar. É quando explode na mão’’. O médico lembra que, de modo geral, as queimaduras apresentam recuperação lenta, que podem exigir acompanhamento de profissionais como cirurgião plástico, oftalmologista e ortopedista.
Canavese explicou também que no Norte do Paraná não existe nenhum hospital especializado no atendimento de grandes queimaduras (aquelas em que a área atingida ultrapassa 40% do corpo). O único que pode prestar este tipo de atendimento no Estado é o Hospital Evangélico de Curitiba. Já os casos menos complicados podem ser atendidos em qualquer serviço de saúde. ‘‘A princípio, será feito um curativo técnico e aplicada a vacina contra tétano’’.
Segundo a Gerência de Concessões e Fiscalização de Alvarás da prefeitura de Londrina, só uma empresa está autorizada a comercializar fogos no município. Trata-se da Sociedade Distribuidora Paranaense de Fogos (Sodipar), que nesta época do ano monta bancas de venda nas Avenidas Maringá, Bandeirantes, Madre Leônia Milito e Rua Paranaguá. A prefeitura só concede autorização para instalar um ponto de venda diante de alvará da Polícia Civil e laudo de vistoria do Corpo de Bombeiros.
O funcionário da Sodipar, Antonio Chiessi, afirma que a finalidade das barracas instaladas na cidade é mais educativa do que lucrativa. A empresa existe desde 1954 e, segundo ele, sempre teve a preocupação de mostrar às pessoas como usar corretamente estes artefatos. ‘‘Nós não vendemos, em hipótese nenhuma, bombas mais perigosas, incluídas na classe C (ver quadro ao lado) para crianças’’. O problema é que existem muitos pontos de venda clandestinos, como bares da periferia e até açougue, que trabalham sem licença da prefeitura.
Jorge Fernandes Tchian, representante da Sodipar há mais de 40 anos, é quem administra há pelo menos 30 anos as barraquinhas em Londrina. Ele fica no ponto da Avenida Maringá e nas outras barracas contrata funcionários que, segundo ele, já fazem este serviço há muitos anos e estão instruídos para não vender bombas maiores a crianças.
Esta é a época do ano que Tchian mais trabalha, mas ele diz que este ano o movimento está fraco. ‘‘No ano passado foi melhor, por causa da Copa. Há uns 20 anos, o volume de vendas também era melhor, segundo ele. Parece que havia mais tradição’’. Os produtos mais vendidos são os estalos Bebé (traques), estalos de salão e fósforos de cor.

mockup