- Se não tem outro jeito, compre chips para seus filhos. Dê os tazos para que eles brinquem e jogue fore os salgadinhos.
A recomendação está sendo feita pelo pediatra Álvaro Luiz de Oliveira aos pais de crianças contagiadas pelo tazo, um brinquedo que vem dentro das embalagens da Elma Chips. O médico não entraria em choque com o fabricante e a mídia se, junto com a tazomania, não viesse um problema grave decorrente do aumento do consumo. Oliveira constatou elevação no número de crianças vítimas de intoxicação alimentar causada pelo chips.
O pediatra alerta: ‘‘Os salgadinhos com corantes amarelos são bastante tóxicos, com maior potencial alergizante’’. Nesse caso, orienta Oliveira, crianças alérgicas, que tenham rinites, sinusites e outras manifestações, devem passar longe desses salgadinhos.
O consumo exagerado provoca dores abdominais, vômito e diarréia. Para alguns casos, informa o pediatra, a internação hospitalar tem sido necessária devido ao quadro de desidratação apresentada pelas crianças. ‘‘É um produto prejudicial à saúde. É possível notar, naqueles pacotes maiores, pintas amarelas de corantes que não foram dissolvidos. É um absurdo!’’, critica o médico.
O pediatra apela aos pais para que zelem pela qualidade de vida dos filhos. Ele considera os salgadinhos na forma de massa de pão frita menos prejudicial à saúde que os petiscos coloridos. Chama os adultos à responsabilidade uma vez que as crianças acabam sendo vítimas da mídia televisiva. ‘‘Não tenho nada contra o brinquedo, que é uma beleza. Mas o salgadinho é uma porcaria, que não precisa ser comido’’.
Se depender do esforço da direção da Escola Seta (Sensibilização, Educação e Trabalho Atualizado), em breve o marketing do ‘‘impossível comer um só’’ será derrubado. Na segunda-feira, os pais dos alunos receberam um comunicado sobre os problemas causados pelo consumo de salgadinhos. Na carta, a direção da escola transfere para cada pai a responsabilidade pelo problema. ‘‘Cada um tem sua maneira de lidar com a situação.’’
A direção sugere, para o caso dos pais que não suportam as cenas dos birrentos consumidores, que substituam os salgadinhos com excesso de corantes pelos pingos de ouro. ‘‘Com moderação.’’ A direção apela aos pais para que não incluam mais os salgadinhos no lanche das crianças. ‘‘Evite comprar aquelas melecas com cara de lesma’’, diz o comunicado.
Mas antes de recorrer aos adultos, a escola tratou de conscientizar os pequenos consumidores. Conseguiu resultados. ‘‘Só vou comer as batatas, os outros amarelos não como mais’’, garante Amanda Bianchi Theodoro, 8 anos, aluna da 3ª série do Seta.
A reportagem da Folha tentou contatar diretamente a empresa Elma Chips pelo telefone 0800-116611. O telefone não está funcionando.

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