Médico alerta para os riscos
O chumbo está presente em todos os seres vivos, mas não chega a causar problemas para o ser humano, se não atingir níveis altos de contaminação. A informação é do pediatra, médico do Trabalho e pós-graduando em Perícia Médica, José Roberto Sabóia Franco, que presta serviço para uma empresa de baterias em Londrina.
No caso de crianças, a contaminação prejudica a formação cognitiva e causa atraso no desenvolvimento neuropsicomotor e distúrbios músculos-esqueléticos. O nível de contaminação permitido é de 10 microgramas/dl. Nos adultos, o permitido é de 40 microgramas/dl. Os resultados apresentados nos exames, segundo o médico, indicam que essas pessoas devem fazer um novo exame, desta vez na urina. ''O ALAu (acído deltaamino levulínico) é um indicador que, se alterado, significa repercussão orgânica''.
Em adultos, os sintomas são fraqueza, irritabilidade, insônia, sensação de peso, cólicas abdominais. Em estágios avançados (conhecido como Saturnino), atinge o sistema nervoso central, causando impotência sexual e falência do rim, o que leva à morte.
Franco explica que nas fábricas de baterias as barras de chumbo são transformadas em óxido de chumbo (poeira fina), que fazem as placas de baterias. Essa poeira suspensa no ar penetra no ser humano através das vias respiratórias e digestivas, por isso a necessidade de filtros de proteção nas fábricas e uso de respirador pelos funcionários, que também com filtros protegem a boca e o nariz. ''Se a empresa não dispõe de exaustores,o chumbo pode ser carregado para a população através do ar e também pode haver contaminação através da água''.
Por esse motivo, além dos exaustores, as fábricas de baterias devem manter uma Estação de Tratamento de Efluentes (ETE), que faz a descontaminação da água. O índice biológico máximo (IBM) permitido num fábrica, segundo Franco, é de 60 microgramas/dl. (M.O.)





