Medicina mantém tradição de disputa acirrada
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sexta-feira, 14 de janeiro de 2005
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Mais de 80 candidatos por vaga. A concorrência assusta, mas parece não desmotivar os vestibulandos que optam por medicina da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Historicamente, os estudantes escolhem a carreira, sempre a mais concorrida entre os cursos da instituição de ensino. Por outro lado, profissões como fisioterapia e design gráfico (ex-desenho industrial) são cada vez mais procuradas pelos jovens. O concurso começa domingo e vai até terça-feira, dia 18.
''Não tenho uma explicação (para a procura de medicina). Poucos são bem remunerados e as condições de trabalho são difíceis. O nível de tensão é grande'', analisou o chefe da Coordenadoria de Processos Seletivos (Cops), Luiz Rogério Oliveira da Silva. Ele, no entanto, admitiu que ainda existe no País a visão de que o médico é um ser ''diferente, por salvar vidas.'' Outras carreiras apontadas como promissoras são design gráfico e fisioterapia.
Na prova deste ano, 5.598 vestibulandos optaram por medicina. São 80 vagas para o curso em tempo integral. Outro curso bastante procurado é o direito: 3.581 vestibulandos. A diferença é o número de vagas: 80 para medicina (80,97 por vaga) e 120 para direito (24,82 no noturno e 17,59 no matutino). O segundo mais procurado é biomedicina, com 37,94. Por outro lado, a menor concorrência é de biblioteconomia, com apenas 4,27 candidatos por vaga. ''O curso está passando por uma fase de mudanças, devido aos avanços tecnológicos do setor'', explicou.
Com a grande concorrência, a diferença entre a aprovação no vestibular ou mais um ano de preparação pode ser definida em detalhes. Um acerto a mais pode definir o destino do vestibulando. Alderi Luiz Ferraresi, diretor de colégio particular e cursinho em Londrina, acredita que o baixo nível de dificuldade da prova e o alto número de candidatos provocam o equilíbrio. ''O afunilamento é ainda maior. Com um nível mais puxado nas questões, seria melhor'', opinou.
A concorrência acirrada também está provocando a redução do número de desistências. De acordo com Ferraresi, casos de alunos que desistem do curso são raros, principalmente entre os mais concorridos. ''O aumento na disputa faz com que a pessoa reflita mais antes de optar pela carreira.''
Bruno Sitta Giacomini, 17 anos, tomou a decisão sobre o curso baseado em aspectos práticos. ''Meu irmão é advogado recém-formado. Por isso, também escolhi direito'', revelou. Ele diz que não está preocupado com o mercado saturado. ''Lugar nunca falta para quem é competente.''
O jeito para lidar com crianças foi decisivo para Regiane Garcia Quesada, 19, escolher a carreira: pedagogia. ''No primeiro tentei psicologia. Agora mudei, por causa da concorrência'', contou. A estratégia foi a mesma do webdesigner Francisco Carlos Feitosa Barreiros, 22. Na quarta tentativa, ele optou por trocar de curso: design gráfico em vez de ciência da computação. ''Só que a concorrência do design gráfico (34,46) aumentou bastante este ano.''


