De cada mil crianças nascidas vivas, aproximadamente oito apresentam anomalias no coração originadas durante a gestação (cardiopatia congênita). O desafio da medicina hoje é tornar o diagnóstico cada vez mais precoce, aumentando as chances de vida dos portadores da doença, acima de tudo no primeiro ano de vida. Por este motivo o assunto, uma especialidade relativamente nova dentro da medicina, foi um dos destaques do 29º Congresso Paranaense de Cardiologia, que termina amanhã em Londrina.
Segundo o cardiologista pediátrico Nelson Itiro Myague, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Universidade Católica do Paraná, as causas que levam à cardiopatia congênita ainda não são totalmente conhecidas. Sabe-se porém que alguns fatores, como uso de drogas, álcool e cigarro, além de infecções e determinadas doenças (diabetes, por exemplo)) durante a gestação, contribuem em muito para a ocorrência do problema.
O médico afirma que 50% das crianças que nascem com a doença e não são tratadas nos primeiros dias de vida morrem até completarem um mês. Entre as que sobrevivem, metade morre antes de completar um ano. ‘‘Trata-se, portanto, de uma especialidade do primeiro ano de vida’’, define o cardiologista, referindo-se ao ramo da medicina que tornou Curitiba uma das referências nacionais, ao lado de São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Ceará.
O diagnóstico precoce também é necessário para que a cirurgia (exigida na maioria dos casos) seja feita enquanto a criança ainda apresenta boas condições físicas, capaz de suportar a intervenção. Entre os avanços importantes foram feitos na área, citados por Nelson Myague, está o ecocardiograma, que possibilitou o diagnóstico intra-útero e diagnóstico precoce não evasivo.
O médico esclarece que o mais popular – e um dos mais temidos – problema cardíaco em crianças, o ‘‘sopro’’, nem sempre significa doença. Segundo levantamento feito no Hospital Pequeno Príncipe, de Curitiba, 50% das crianças com sopro encaminhadas por pediatras não tinham doença cardíaca. A preocupação com o problema, de acordo com Myague, deve ser maior no primeiro ano de vida. ‘‘Neste período, se houver sinais de sopro, sempre é preciso que se faça uma investigação.’’

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