Medicamentos são vilões da intoxicação
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de janeiro de 2004
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Os maiores vilões da intoxicação por produtos químicos no Paraná não trazem na embalagem símbolos de perigo e sequer têm venda restrita. São os medicamentos que, de 1999 até o ano passado, foram responsáveis por 3.286 casos de intoxicação em todo o Estado. A informação é do Conselho Regional de Farmácia (CRF) do Paraná, com base em dados da Secretaria do Estado de Saúde.
A princípio destinados à cura, os medicamentos também lideram a lista nacional de causas de intoxicação considere-se que o Brasil ocupa o 10º lugar entre os maiores consumidores de remédios no mundo. Londrina confirma a tendência: de janeiro a outubro do ano passado, 296 casos foram registrados pelo Centro de Controle de Intoxicações (CCI), que funciona no Hospital Universitário (HU). Em 2002, foram 332 ocorrências.
A principal causa de intoxicações por medicamentos é a mesma observada nos dados locais e estaduais: tentativas de suicídio. Elas responderam por 47% dos casos comunicados ao CCI em Londrina, 140 em números absolutos. Nesse grupo, a faixa etária predominante está entre 13 e 20 anos. Esses casos são muito difíceis de prevenir. Se os adolescentes não encontram remédios em casa procuram nas dos amigos, observa a coordenadora do CCI, Conceição Turini.
A maior preocupação dos profissionais da Saúde, contudo, é com os casos de intoxicação acidental, cujas grandes vítimas são crianças com idade inferior a cinco anos. Elas figuraram em 869 do total de ocorrências no Paraná, de 1999 a 2003, e em 109 dos casos registrados em Londrina até outubro do ano passado.
Felizmente, o índice de recuperação nos casos de intoxicação também é grande. De acordo com o levantamento do CRF-PR, 93% das vítimas de intoxicação se recuperaram. Outros 2% morreram o restante não teve destino identificado. Entre 99 e 2003, foram 61 mortes, a maioria entre pessoas de mais de 60 anos. São indivíduos com saúde mais debilitada, que já sofrem de outras doenças como hipertensão, explica a farmacêutica do CRF, Cibele Sorace Korkievicz. Em Londrina, os sete óbitos registrados pelo CCI entre janeiro de 2002 e outubro de 2003 foram por suicídio.
O presidente do CRF, Everson Augusto Krum, reconhece que a venda indiscriminada de medicamentos, que contribui para a automedicação, está entre as maiores causas de intoxicações acidentais. A venda sem receita continua ocorrendo em toda a parte, embora sempre recomendemos aos profissionais que exijam prescrição médica e dêem todas as orientações sobre os medicamentos vendidos, pondera.
Em caso de acidentes, ressalta Conceição Turini, as vítimas devem procurar imediatamente o atendimento médico, sem tomar nenhuma medida preliminar como provocar vômito e ingerir outras substâncias. Qualquer informação sobre esses acidentes pode ser obtida, por pacientes e profissionais, no CCI. O telefone é (43) 3371-2244, e o atendimento funciona 24 horas.


