Medicamentos administrados de forma errada são a maior causa de intoxicação em seres humanos no Brasil. É o que revelam dados do Ministério da Saúde coletados em 2006 e compilados pelo Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox), ligado à Fundação Oswaldo Cruz.
As informações mostram que, em 2006, foram registrados 107.958 casos de intoxicação humana em 30 dos 37 Centros de Informação e Assistência Toxicológica em atividade no país, com um total de 488 óbitos. Dos quase 108 mil casos registrados, os medicamentos lideraram a lista de principais agentes tóxicos, com 30,5% das ocorrências. Em Londrina, o Hospital Universitário registrou apenas dois casos de intoxicação com medicamentos no mês de julho.
Benzodiazepínicos (calmantes), antigripais, antidepressivos e antiinflamatórios são as classes de medicamentos que mais causam intoxicações. O mais alarmante é que as vítimas são, em sua maioria, crianças menores de cinco anos (24,1%), seguidas dos adultos de 20 a 29 anos (18,9%) e dos adultos entre 30 e 39 (13,6%). Outro dado importante é que 28,6% das intoxicações por medicamentos ocorridas com crianças são acidentais e, portanto, poderiam ser evitadas.
A pesquisa constatou também a forte presença de quatro circunstâncias de intoxicação: o erro de administração (o paciente toma uma dose maior que a indicada, por exemplo), a prescrição médica inadequada, o uso terapêutico que causa uma reação adversa e a letra ilegível do médico. Por isso, é fundamental que os pacientes não saiam da consulta com qualquer tipo de dúvida.
A farmacêutica Ana Carolina Teixeira, que trabalha em uma farmácia no Centro de Londrina, afirmou que a orientação aos atendentes do estabelecimento é que só vendam medicamentos nunca usados pelos pacientes com apresentação de receita médica, principalmente se o usuário do produto for criança.
''Mesmo quando a venda é de produtos que não exigem receita, como por exemplo alguns antitérmicos, sempre oferecemos os que causam menos reações'', disse. Segundo ela, a orientação sobre o uso correto do remédio faz parte do atendimento, por isso os profissionais semprem anotam a dosagem e os horários de uso da medicação.
Ana Carolina revela também que a apresentação de receitas médicas ilegíveis é muito comum. ''Todos os dias mandamos pacientes de volta ao consultório para descobrirem o que está escrito no receituário.''
A manicure Juliane Sanches, mãe de Emanuele, de 3 anos, nunca guarda medicamentos ao alcance da filha. ''Tive uma vizinha que se intoxicou por causa de um xarope para bronquite e foi parar no hospital. Desde então, tenho medo desse tipo de acidente'', contou ela, que só administra medicmentos à filha quando tem receita médica.
A mesma preocupação faz parte da rotina de Ana Paula da Silva Cristovan Miguel, mãe de Maria Luisa, 1 ano, e Carlos Eduardo, 5. ''Guardo sempre em local alto e só não consulto o médico quando o remédio é para febre'', comenta. Outro cuidado da dona-de-casa é usar a seringa dosadora na administração dos medicamentos para não ter erro na dosagem. ''Quando meu filho precisou tomar injeção, levei no hospital para que houvesse atendimento no caso de alguma reação''.

Serviço:
A Anvisa presta informações de urgência pelo Disque-Intoxicação (0800-722-6001), que funciona para todo o território nacional e fica 24h no ar.

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