MEDICAMENTOS - Prescrição médica evita mistura letal
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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Dois remédios para controlar a pressão arterial, outros dois para controlar o diabetes, mais dois para melhorar a circulação sanguínea, um para amenizar a azia, um para o controle do colesterol, um antibiótico e um remédio para dor. Esta é a pequena farmácia caseira de Rubens Eugênio Pasquali, que fica exposta em duas prateleiras no quarto dele, na casa onde vive com a esposa, em Londrina.
Aos 70 anos e com três pontes de safena, realizadas ainda na década de 1980, Pasquali precisa de um arsenal de medicações para se manter saudável e leva uma rotina diária regrada para não esquecer de ingerir nenhum remédio
Apesar de todo o cuidado, ele confessa já ter tomado um remédio que anulou o efeito de outra medicação. ''Teve uma época em que precisei tomar um antibiótico e descobri, por meio de exames, que ele anulava o efeito do remédio para circulação'', lembra o aposentado, explicando que até o médico perceber o resultado da interação medicamentosa, ele aumentou a dose do antibiótico diversas vezes pensando que o remédio não fazia efeito. ''Ainda bem que eu não passava mal, o único problema é que a medicação para a circulação não fazia o efeito esperado.''
É difícil, hoje, quem não tenha uma farmacinha em casa, com remédios para dor de cabeça, dor no estômago, cólica e até vitaminas em geral. Mulheres que costumam usar medicamentos para emagrecer e anticoncepcionais e adolescentes que fazem uso de antibióticos para controlar espinhas. E quanto mais velho o paciente, maior a lista de medicamentos diários, que controlam desde a pressão arterial, a circulação, o colesterol e o diabetes ou até fortalecem o coração e aplacam as dores das articulações cansadas.
Casos clássicos
Para o gastroenterologista Alberto Toshio Oba, quando prescrito por um especialista, a chance de uma combinação de medicamentos ser perigosa é mínima. ''Intoxicação por remédios só ocorre em caso de dose elevada, não importa se a droga é legal ou ilícita'', alerta.
Ele explica que alguns medicamentos podem se tornar letais quando as doses terapêutica e tóxica são muito próximas: ''É o caso dos medicamentos com baixo índice terapêutico que quando combinados com remédios metabolizados no mesmo local, no organismo, podem ser fatais''.
Segundo Oba, há casos clássicos de misturas perigosas que devem ser analisados individualmente pelos especialistas, como a combinação de anticoagulantes e anti-inflamatórios ou o uso de qualquer medicação com anestesia.
''Normalmente o anestésico soma o efeito da outra droga, podendo causar arritmia cardíaca e, em casos mais graves, até levar à morte'', detalha o gastro. Ele recomenda aos pacientes que nunca escondam dos médicos os tipos de medicação ou droga que estejam consumindo antes de iniciar um tratamento.
''É o médico que entende como combinar os diferentes medicamentos para que um não atrapalhe o funcionamento do outro. Especialistas conhecem os efeitos e sabem dizer se é preciso aumentar ou não a dose do remédio no sangue para que exerça o efeito terapêutico'', reforça Oba.
Conforme ele, cada medicamento tem particularidades a serem respeitadas e age de forma única em cada organismo. ''Algumas reações são imprevisíveis, por isso é uma questão de ajuste, já que um mesmo remédio pode provocar efeitos diferentes em um paciente ou outro.''
Para Oba, quem ingere muitos remédios no dia a dia deve sempre ter em mãos uma lista com os nomes dos medicamentos em cada nova consulta médica. ''Só assim o médico pode verificar a necessidade ou não de acrescentar uma nova medicação à lista ou até mesmo substituir algum remédio para evitar a interação medicamentosa'', pondera.


