Curitiba – A mulher do autônomo Jorge da Luz, 56 anos, sofre de hipertensão e depende do remédio captopril para controlar a doença. O medicamento, no entanto, desapareceu das farmácias dos postos de saúde de Guaratuba. ‘‘Faz quase um mês que estamos com o estoque vazio’’, informou uma enfermeira que, como tantas, pediu para não ser identificada. ‘‘Como é que fica o hipertenso?’’, questionou Luz ao ouvir a negativa da enfermeira. Como não tem condições de comprar o remédio, o autônomo deixou o local disposto a conseguir a medicação através do serviço de assistência social do município.
  Guaratuba está com o estoque de remédios e produtos hospitalares em baixa por conta de atrasos nos pagamentos aos fornecedores. A FOLHA entrou em contato com cinco empresas que mantinham contratos com o município. Três informaram que a prefeitura está com pagamento em atraso, das quais duas suspenderam as entregas. Uma empresa informou que já quitou o contrato e outra não quis comentar o caso. Em uma das empresas, a dívida de Guaratuba chega a R$ 20 mil e os pagamentos pararam em junho.
  Além dos remédios utilizados no controle da hipertensão, também estão em falta medicamentos indicados para o tratamento do diabetes. ‘‘As pessoas não entendem que a culpa pela falta do medicamento não é nossa’’, desabafa a enfermeira.   (R.C.F.)

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