A venda do Revia, medicamento utilizado no combate ao alcoolismo, não deve ser muito grande nas farmácias. A avaliação é do presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Paraná, David Guntowski. Ele considera que o remédio, mesmo tendo o mesmo apelo comercial do Xenical e do Viagra, atinge um universo muito específico. ‘‘Quem procurar o Revia terá que admitir que é alcoolista, o que nem sempre é fácil’’, diz a farmacêutica Sandra Mara Kuniyoshi, da Drogamed.
Sandra afirma que é provável que na Drogamed sejam comercializados apenas 50 caixas durante um mês. Comparativamente com o Viagra e Xenical, este número não representaria a metade do que foi comercializado em seus lançamentos, quando se atingiu cerca de 120 caixas por dia.
‘‘Pode ser que no futuro a comercialização seja maior, estimulada por resultados obtidos em pacientes’’, afirma, acrescentando que contra o remédio pesa o preço. O medicamento está sendo vendido em caixas com 50 comprimidos (a R$ 252,85) e 30 comprimidos (a R$ 155,14).
O medicamento atua nos neurotransmissores opióides, que são os responsáveis pelas sensações de bem-estar e euforia após a ingestão do álcool. ‘‘Com isso o paciente não sente falta da bebida’’, afirma Sandra Mara. Em sua bula, o medicamento diz que, após três meses de tratamento, reduziria em 23% as recaídas. E que metade dos que se tratam com o Revia não voltaram a beber.
Apesar do resultado, a psicóloga Denise Zugman adverte que o remédio não é milagroso ou mágico. Ela avisa que a administração do Revia está condicionada a um acompanhamento médico. Antes é necessário realizar de três a quatro exames para dosar as enzimas do fígado. ‘‘Como o medicamento é metabolizado no fígado, os pacientes precisam fazer uma avaliação do órgão’’, avisa a farmacêutica Sandra Kuniyoshi.Leandro TaquesConsumo do Revia deve ser restrito pelo preço e fim a que se destinaIsrael Reinstein

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