Medicamento abortivo deixa rastro no PR
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sábado, 14 de agosto de 2010
Luciano Augusto, Marian Trigueiros e Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
Foz do Iguaçu - Evidências indicam que as clínicas clandestinas de aborto ainda existem no Paraná. E continuam ativas. Porém, de acordo com especialistas ouvidos pela FOLHA, adolescentes e mulheres que optam por interromper uma gravidez estão recorrendo cada vez mais a medicamentos à base da substância misoprostol, que só podem ser comercializados no Brasil de forma especial, com uso restrito a estabelecimentos hospitalares devidamente cadastrados nas entidades sanitárias.
O mais conhecido desses medicamentos é o Cytotec, originalmente produzido para prevenção de úlcera gástrica e duodenal, mas que age sobre a musculatura uterina estimulando a contração.
Em todo o Estado, comerciantes informais faturam revendendo o medicamento que pode ser adquirido com extrema facilidade no Paraguai. Conforme comprovou reportagem da FOLHA, uma cartela com dez comprimidos sai por R$ 70 em Ciudad Del Este. Em Londrina, quatro comprimidos chegam a custar R$ 300.
A prova do estrago que faz o Cytotec aparece nas estatísticas. Há quatro anos, Foz do Iguaçu figura em segundo lugar - perdendo somente para Curitiba e superando outros municípios mais populosos como Londrina e Maringá - no número de curetagens - procedimentos feitos após aborto espontâneo ou induzido - em hospitais. Só em 2009 foram 444 procedimentos desse tipo na cidade da fronteira.
Segundo o diretor clínico do Hospital e Maternidade Cataratas, Carlos Alberto Araújo, um dos motivos seria a facilidade das mulheres em comprar o medicamento do outro lado da Ponte da Amizade.
Se em outros municípios já é fácil conseguir o medicamento, aqui se torna ainda mais fácil. Temos também o grande número de brasiguaias -brasileiras que moram no Paraguai - que vêm buscar atendimento, acrescenta o médico. A grande procura é de mulheres com faixa etária até 30 anos de idade principalmente a de garotas que não tomam precaução contra a gravidez.
Araújo estima que, do total de curetagens realizadas, 20% a 30% seja decorrente de abortos provocados. É muito difícil identificar quando as mulheres induzem o aborto, e se torna ainda mais complicado com o uso do Cytotec, já que quase não deixa vestígios. A não ser que encontremos um comprimido na cavidade vaginal. Contudo, o índice não deixa de ser grande.


