Érika Pelegrino
De Londrina
A morte de uma menina de oito anos provocada por uma bactéria deixou preocupados pais e professores da escola onde a garota estudava, o Colégio Marista de Londrina. Além da garota, que morreu no dia 22 de janeiro, uma outra criança da mesma classe apresentou a doença. Mas a infectologista Jaqueline Dário Capobiango, que acompanhou o caso, chamado Síndrome do Choque Tóxico, afirma que os pais não precisam ficar alarmados ou com medo de mandar seus filhos para a escola. O período letivo recomeça na próxima semana.
A médica explica que foi feito o bloqueio da bactéria que causa a doença – Streptococcus pyogenes – com o uso de antibiótico, entre as crianças da sala onde ocorreram os casos e que não há necessidade de fazer o mesmo em toda a escola. ‘‘A literatura (médica) orienta a fazer a medicação apenas entre os familiares, pois estão sob maior risco’’, explica. ‘‘Como ocorreram dois casos numa mesma sala de aula optou-se por fazer o bloqueio’’.
A necessidade de se fazer um bloqueio em toda a escola não se justifica, segundo a médica, porque a streptococcus é muito comum na comunidade. Ela encontra-se na garganta de 20% a 30% das crianças em idade escolar e é a principal responsável pela maioria das doenças comuns na infância. Diante disto, segundo ela, se fosse para se fazer um bloqueio na escola toda teria então que se fazer em toda a população nesta faixa etária.
A diretora-pedagógica do colégio, Marise Rufino, afirma que as pessoas estão ‘‘fantasiando por desconhecerem a doença’’. Segundo ela, as providências necessárias já foram tomadas: ‘‘Tranquilizar os pais através da informação’’. O colégio enviou uma carta aos pais com laudos da Secretaria de Saúde e do Setor de Epidemiologia falando sobre o caso.
‘‘Faz parte da nossa filosofia de trabalho a preocupação com a saúde física de nossos alunos, se fossem necessárias outras providências nós as tomaríamos. Não temos nada a esconder’’, explica.
Jaqueline Capobiango ressalta que não é a doença que é transmitida, mas sim a bactéria. Através de tosse, espirro e contato íntimo e prolongado com o portador da bactéria em local fechado e por várias horas a pessoa pode contrair a bactéria. Já para desenvolver um quadro grave de estreptococcia, como a Síndrome de Choque Tóxico, é necessário um conjunto de fatores: virulência do agente, resposta do hospedeiro (defesa do organismo que entrou em contato com a bactéria) e inóculo (quantidade de bactérias com as quais a pessoa entrou em contato).
Isto significa que uma criança portadora da bactéria pode desenvolver um quadro grave e outra que teve contato com ela pode ter apenas uma dor de garganta. A grande maioria das pessoas que portam esta bactéria, 90% a 95%, desenvolve um quadro leve da doença – otite, faringite, amigdalite, infecção de pele, traqueobronquite – e 5% a 10% desenvolvem quadros graves – pneumonia, miosite, fasceite, sepse, Síndrome do Choque Tóxico.
Para tranquilidade dos pais os cuidados com prevenção de doenças estreptocócicas são os mesmos exigidos para a maioria das doenças infantis, de acordo com Jaqueline Capobiango: não usar o mesmo copo, tratamento adequado de infecções (ver texto nesta página), ficar em ambientes arejados e ventilados, não levar o filho para a escola antes de no mínimo 24 horas de tratamento e se ele estiver com febre.