Médica não comparece para depor
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segunda-feira, 11 de junho de 2001
Gilmar Agassi De Cascavel 
A ginecologista e obstetra Sônia Amorim não compareceu ontem para depor na 2ª Vara Cível de Cascavel em audiência marcada pelo juiz Paulo Hapner. Na audiência, a médica ficaria frente a frente com Rosane do Nascimento, que a acusa de negligência durante a realização do parto de seu filho. Por conta dessa negligência, a criança apresenta problemas neurológicos. Até o momento, 10 mulheres procuraram o Ministério Público para fazer denúncias contra Sônia Amorim e todas apresentam o mesmo histórico.
Segundo o advogado da médica, José Lagana, ela não recebeu nenhuma intimação para depor, por isso, não existiam motivos para comparecer. O advogado lembrou que Sônia Amorim já esteve depondo na Comissão Especial de Investigação instaurada pela Procuradoria Jurídica do Município, e isso, demonstra que ela não está fugindo da Justiça.
Baseado na alegação do advogado, o juiz Paulo Hapner, decidiu marcar uma nova audiência para o dia 24 de agosto, às 9h30, quando deverão ser ouvidas a médica e Rosane. O juiz disse estar preocupado com a grande cobertura que vem sendo dada pela imprensa local, o que poderia pressionar Sônia Amorim a tomar algumas atitudes impensadas. Antes de se acusar uma pessoa é necessário permitir que ela se defenda, e algumas pessoas parecem estar fazendo o julgamento mesmo antes da conclusão do processo, reclama.
A dona de casa Rosane do Nascimento esteve no Fórum na expectativa de encontrar com a médica e contar ao juiz o procedimento utilizado durante o parto. Ela foi a primeira mulher a denunciar Sônia Amorim ao Ministério Público, há cerca de dois meses, dizendo que após a ter consultado já em trabalho de parto, a médica teria voltado para sua casa alegando que o filho estava com pneumonia.
Rosane acusa a médica de ter retornado, apenas, às 13 horas do dia seguinte e marcado a cirurgia para o final da tarde. Quando entrei na sala de parto já estava com hemorragia intensa, e ouvi ela dizer que tentaria me salvar porque meu filho estava morto. Eu achei que fosse verdade, mas depois vi que ele estava vivo. Aos poucos fomos percebendo as primeiras sequelas ocasionadas pela falta de oxigênio em seu cérebro, conta.
Em relação à investigação realizada pela Comissão de Investigação da prefeitura, a médica tinha até sexta-feira passada para apresentar sua defesa inicial, mas acabou não entregando os documentos ao presidente da comissão José Ricardo Messias. O prazo estipulado pela comissão expirou. Agora ela terá o direito de apresentar sua defesa final, mas sem direito a testemunhas, ressalta.
O caso da médica Sônia Amorim também está sendo investigado pelo Conselho Regional de Medicina (CRM). O presidente Luiz Salim Emed explica que foi aberta uma sindicância para analisar a situação, mas que é necessário dar um amplo direito de defesa à médica antes de tomar qualquer tipo de decisão. Ele completa que o CRM está pedindo aos hospitais onde a médica trabalhou nos últimos anos os prontuários dos pacientes que teriam sido vítimas dos supostos erros médicos praticados por Sônia Amorim.


