Médica entra na Justiça para garantir transfusão de sangue
Israel Reinstein
De Curitiba
Médicos do Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba, foram obrigados a recorrer à Justiça para salvar a vida de uma paciente. Na última quinta-feira, a jovem J.S., 17 anos, foi internada em estado delicado por causa de uma complicação ocorrida no pós-operatório de um transplante de fígado. Em estado grave, a jovem precisava de uma transfusão de sangue, mas como a sua família é adepta da religião Testemunhas de Jeová, recusava-se a permitir esse procedimento médico, porque a religião não permite.
Preocupados, os médicos entraram com uma ação pedindo a transfusão, que foi concedida anteontem. A medida foi uma forma de resguardar a decisão do corpo clínico, que desejava salvar a vida da menina, explicou o assistente do advogado Adel El Tasse, Eurolino dos Reis. O advogado Tasse alegou que na Constituição o direito da vida é superior à crença religiosa.
Mesmo com o despacho favorável do juiz, o corpo clínico do hospital foi obrigado a convencer a família, cuja a mãe chegou a rasgar o documento que estava de posse dos oficiais de Justiça. Somente no começo da tarde, os pais autorizaram a realizar a transfusão. No entanto, o ato não foi comunicado a J., que preferia não saber quando a transfusão aconteceria.
Em nota divulgada no fim da tarde, o diretor clínico do hospital, Donizetti Giamberardino Filho, informou que o estado clínico da jovem era estável.





