Curitiba A médica Cristiane Babi, do Hospital e Maternidade de Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, poderá ser indiciada por suposta omissão de socorro. Ela teria se recusado a atender o passageiro de um ônibus, que foi baleado durante um assalto ao coletivo, na noite de anteontem. José de Lima, 24 anos, baleado no tórax, morreu depois de esperar atendimento por cerca de 20 minutos. Cristiane foi intimada a prestar depoimento, hoje, na Delegacia de Pinhais.
Depois do assalto, o motorista do ônibus, Toré Dias, dirigiu-se às pressas ao Hospital e Maternidade Pinhais, que era o mais próximo, para que José de Lima, gravemente ferido, fosse socorrido. De acordo com o superintendente da Delegacia de Pinhais, Luiz Fernando Barbosa, os demais passageiros testemunharam que a recepcionista do hospital, Lúcia Fernandes, avisou a médica de plantão, mas ela teria dito que não poderia atender a vítima. Com a recusa, os passageiros acionaram o Siate, mas quando os socorristas chegaram ao local, Lima já havia morrido.
O assalto foi a um ônibus que faz a linha Curitiba-Piraquara. Segundo o superintendente da Delegacia de Pinhais, Luiz Fernando Barbosa, dois homens um aparentando ser menor embarcaram no coletivo na Praça Santos Andrade, em Curitiba. No trajeto, quando o veículo estava na Avenida João Leopoldo Jacomel, os marginais deram voz de assalto e ao revistar os passageiros, um deles acabou atirando em José de Lima, que teria tentado desarmá-lo.
Pela descrição feita pelas testemunhas, a polícia suspeita que seja a mesma dupla que já vem praticando roubos na região. Eles seriam moradores do Jardim Holandês, também em Piraquara. Até o final da tarde, no entanto, eles não tinham sido localizados pelos policiais, que fizeram buscas pela região.
A direção do hospital se recusou a dar entrevista. Em comunicado à imprensa, informou apenas que os fatos serão apurados e encaminhados ao diretor clínico ou comissão de ética, para averiguar se houve ou não alguma falha no atendimento. A Folha procurou a médica e a recepcionista, mas foi informada que as duas não se encontravam no hospital.
A recepcionista do hospital, o motorista do ônibus e o cobrador também foram chamados a prestar depoimento.

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