A médica Fátima Campagnolo 36 anos, dois filhos e grávida, de Toledo (45 km a oeste de Cascavel), é a única mulher a ocupar o cargo de presidente de Câmara Vereadores no Oeste paranaense. Durante a semana, ela esteve envolvida com a programação da Semana da Mulher, com atividades culturais, artísticas e de formação. Uma das convidadas para a programação foi a vice-governadora Emilia Belinati (PTB), para proferir palestra sobre um tema que considera fundamental: ‘‘A Mulher e a Política’’.
Segundo a vereadora, é preciso que as mulheres participem ativamente da política. ‘‘Inclusive para lutar contra as desigualdades que as atingem’’. Fátima reforça sua conclamação citando estatísticas do Conselho Nacional de Direitos da Mulher, segundo o qual apesar das pessoas do sexo feminino serem 51% da população brasileira, são apenas 3,5% dos que detém cargo de prefeito nos 4,97 mil municípios do País. Elas ocupam somente 5,7% dos cargos no Congresso Nacional.
Outros dados citados por Fátima indicam que as mulheres representam 51% do mercado informal de trabalho, ‘‘o que significa falta de oportunidades de emprego formal’’. As de cor branca que trabalham tem média salarial duas vezes inferior aos homens brancos, mas duas vezes superior à média do que ganham as negras. Segundo a vereadora, além das mulheres serem discriminadas no conjunto, também o são de acordo com sua condição social ou cor da pele.
Fátima, que como médica ginecologista atua em clínica particular e no serviço público, é a segunda pessoa do sexo feminino eleita como vereadora em Toledo e foi a mais votada entre todos os candidatos na última eleição, com cerca de 1,8 mil votos. A presidenta da Câmara acha que as mulheres devem cada vez mais disputar cargos eletivos e discutir política, para que possam influenciar nas decisões, hoje centralizadas pelos homens. (Paulo Pegoraro)

mockup