Médica do PR apresenta técnica para doença rara
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quarta-feira, 26 de março de 1997
Da Sucursal 
Uma nova técnica de tratamento para a anemia de Fanconi, uma doença rara e grave que pode levar à morte, será um dos assuntos abordados hoje no 1º Encontro Sobre Transplantes de Medula Óssea e Hemopatias Malignas, em Curitiba. O tema será apresentado pela paranaense Neiva Magdalena, que atua no departamento de Pediatria do Hospital de Clínicas.
A médica participou de testes genéticos realizados em Nova York (EUA), no período de setembro a dezembro do ano passado.
A doença é hereditária recessiva (o pai e a mãe são necessariamente portadores da anemia) e sempre foi tratada unicamente através do transplante de medula óssea. A nova técnica, ainda em estudos, consiste na substituição de um gene defeituoso por outro normal, evitando o transplante.
Já aplicamos o método em três pacientes, nos Estados Unidos, e eles estão passando muito bem, afirmou a especialista.
Ela explicou que a doença, apesar de ser considerada mundialmente rara, apresenta um grande número de casos no Brasil. Ela é comum em alguns grupos raciais específicos, disse Neiva. Nos últimos 13 anos, o Hospital de Clínicas recebeu e diagnosticou 135 vítimas.
A médica informou que o tratamento é geralmente realizado em crianças, já que a anemia de Franconi se manifesta por volta dos sete anos de idade. Os principais sintomas são sangramento nasal e anemia.
A pesquisa genética já estava sendo desenvolvida pela médica paranaense desde 1984, a partir da cultura de sangue. Os testes eram feitos através da análise dos cromossomos, que identifica a existência da anemia, e da análise de DNA, que mostra a mutação do gene ou a causa da doença.


