Médica depõe e nega omissão de socorro
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sábado, 17 de janeiro de 2004
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba A médica Cristiane Babi, do Hospital e Maternidade Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, prestou depoimento, ontem, à Polícia Civil, onde foi autuada por omissão de socorro. Segundo o delegado de Pinhais, Noel Francisco da Silva, ela deverá receber uma pena alternativa pelo Juizado Especial Criminal como, por exemplo, a prestação de serviços comunitários. Nos crimes em que a pena não ultrapassa dois anos, a detenção pode ser dispensada. O depoimento da médica na Justiça está marcado somente para o dia 3 de agosto.
Cristiane teria se recusado a atender o passageiro de um ônibus, que foi baleado durante um assalto, na noite da última quarta-feira. José de Lima, 24 anos, baleado no tórax, morreu ainda dentro do ônibus, no pátio do hospital, depois de esperar atendimento por cerca de 20 minutos.
Segundo o delegado, em seu depoimento, Cristiane negou que tenha se recusado a dar atendimento à vítima. Ela não falou com a imprensa. O advogado que a representava, Rodrigo Pereira da Silva, disse que Cristiane foi socorrer o rapaz assim que foi informada, mas que ao chegar no ônibus ele já havia morrido.
A versão do motorista do ônibus e de outros passageiros foi que ela teria dito que não poderia atender por se tratar de um hospital particular e que, portanto, José de Lima teria que ser levado para outro local. O próprio boletim de ocorrência da Polícia Militar (PM) relata a omissão de socorro. A polícia deve concluir o inquérito em 30 dias. O Ministério Público (MP) é que decidirá se a médica deve ou não ser indiciada criminalmente.
O Conselho Regional de Medicina (CRM) informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que vai instaurar sindicância para apurar a denúncia contra Cristiane Babi.


