Médica cega ensina a vencer tensão
A bancária Moema Araújo, de 40 anos, participa de cursos de dança de salão, teatro e canto e reserva algumas horas da semana para dedicar-se a uma de suas paixões: escrever poesias. O próximo presente que dará a si mesma, planeja, são aulas de piano, que pretende retomar em breve. Ela aposta em várias atividades que lhe dão prazer para afastar o stress. Com todas essas atividades fica mais fácil lidar com as dificuldades do dia-a-dia, afirma.
Depois de ter vivido situações geradoras de stress em alto grau, Moema diz que aprendeu a superar as pressões da vida pessoal e profissional. Diabética desde criança, ela perdeu a visão em 1981, quando ficou grávida. Três anos depois, lembra, o marido dela foi embora porque não soube administrar a situação. Eu fiquei deprimida porque não podia ver o meu filho e as pessoas que eu amava, diz. Sabia que teria que aprender tudo de novo, até a andar dentro da minha própria casa.
O problema também obrigou-a a interromper o curso de Medicina, em andamento na Universidade Federal do Paraná. As aulas foram retomadas em 1983 e o curso, concluído em 1987. Mais um fator de stress: a universidade negou-se a entregar o diploma a Moema, alegando que ela não poderia exercer a profissão. Hoje, a questão está sendo resolvida judicialmente.
Outra complicação da diabete é a insuficiência renal que tem desde o ano passado e que a obriga a fazer dez horas de diálise todas as noites. Com muita disposição, ela reclama que o problema a impede de sair à noite para dançar.
Moema garante que todas essas atividades funcionam como válvulas de escape. Nas aulas de dança de salão eu esqueço do mundo. É um tempo reservado para mim, diz. Nas aulas de teatro, eu posso colocar para fora sentimentos que estavam guardados, como paixão, rejeição e indignação por causa do preconceito. (A.V.)





