Médica alerta para riscos da catapora
Silvana Leão
De Londrina
O tempo seco não provoca danos apenas no meio ambiente. A saúde da população também fica debilitada. Além dos resfriados e das famosas viroses, os dias de pouca umidade estão favorecendo o aparecimento de vários casos de varicela (catapora) em Londrina. Embora comum e quase obrigatória na infância, a doença provoca um grande mal-estar e pode levar a problemas muito mais sérios como a Síndrome de Reye se tratada de maneira incorreta.
O alerta é feito pela médica Margarida de Fátima Fernandes Carvalho, professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e diretora do Departamento de Pediatria da Associação Médica de Londrina (AML). Ela lembra que é comum ver crianças com catapora sendo tratadas com antiinflamatórios, o que é totalmente dispensável. E perigoso.
A pediatra explica que por tratar-se de um vírus (o herpes zoster), não há o que fazer se não esperar que seja cumprido o seu ciclo, administrando apenas medicamentos sintomáticos (como analgésicos e antitérmicos para controlar a dor e a febre), se necessário. Nos casos específicos do herpes zoster e dos vírus influenza A e B (causadores das formas mais graves de gripe), a utilização de antiinflamatórios à base de ácido acetil salicílico pode desencadear a Síndrome de Reye.
A doença acomete o fígado e o cérebro de maneira irreversível, causando paralisia cerebral ou morte (em 30% dos casos). Os sintomas são dores abdominais, vômito, icterícia, mal-estar, febre e coma. Só o Hospital Universitário (HU) de Londrina registra uma média de dois novos casos da síndrome por ano.
Segundo Margarida Carvalho, há uma grande tendência entre os próprios profissionais de saúde em prescrever medicamentos sem necessidade e até utilizá-los de maneira incorreta. Além dos antiinflamatórios, ela cita o exemplo dos antibióticos. Quando usados de maneira errada ou indiscriminadamente, acabam por selecionar as bactérias com resistência à ação dos antibióticos mais comuns, levando à necessidade de criação de novos produtos.
Ainda mais grave é o dano que estes medicamentos, quando mal usados, podem causar na medula óssea. Os antibióticos (como por exemplo o cloranfenicol e a sulfa), analgésicos e antitérmicos (como dipirona), se utilizados indiscriminadamente, podem diminuir ou abolir a produção de sangue pela medula, esclarece a pediatra.
Segundo ela, os vírus estão em toda parte e convivem conosco normalmente. No inverno, porém, há uma diminuição das defesas do organismo, que fica mais suscetível à sua ação. O mesmo acontece com o tempo seco, que provoca a diminuição da produção de muco, dificultando a eliminação dos agentes infecciosos (vírus e bactérias).
Por estes motivos, a incidência de outras doenças respiratórias e infecto-contagiosas (como sarampo, rubéola, caxumba) também aumenta no inverno e entrada da primavera. Assim como a catapora, elas requerem apenas medicamentos para controle da dor e febre, além de repouso, hidratação e dieta adequada.
CUIDADOS
-Procurar um médico para diagnóstico correto
-Manter a higiene (dar banho normalmente)
-Evitar que a criança coce as lesões, para evitar infecção secundária
-Usar produtos tópicos para alívio das coceiras, como permanganato de potássio e água boricada para lesões do rosto (sempre com orientação médica)
-Administrar apenas antitérmicos e analgésicos, se necessário
-Manter a boa hidratação e dieta leve (como frutas, gelatina, papa e sopas, em caso de lesões na boca)
-Aparecendo lesões nos olhos, procurar um oftalmologista.
Fonte: pediatra Margarida Carvalho





