A baixa remuneração e a restrição às cirurgias eletivas (não consideradas de urgência) são as principais causas de afastamento dos otorrinolaringologistas do sistema público. A opinião é da especialista Rosana Emiko Heshiki, do departamento de Otorrinolaringologia da Associação Médica de Londrina (AML).
Segundo ela, 30% dos pacientes atendidos na área necessitam de tratamento cirúrgico para retirar amídalas ou adenóides, por exemplo. Como o gestor dos serviços não prioriza a intervenção, os médicos não conseguem efetivar a cura. ''A pessoa retorna várias vezes, sem resolver o problema.'' O processo acaba saindo mais caro ao sistema de saúde, pois os pacientes apresentam quadros infecciosos de repetição e demandam por antibióticos.
Mesmo quando a cirurgia é aprovada, alguns médicos optam por não fazê-la por causa da baixa remuneração. ''O gestor paga R$ 60,00, em média, por um procedimento que tem risco de vida, por causa da anestesia geral. Os profissionais preferem não se arriscar.''
O Cismepar aposta na reorganização, cuja meta é permitir que a consulta e os procedimentos solicitados aconteçam em um mês. Em algumas clínicas, o objetivo já foi atingido ou está próximo de se realizar. Segundo a diretora do órgão, Marlene Zucoli, especialidades como ginecologia, cardiologia infantil e gastroenterologia já eliminaram a fila.
Entre as medidas para reduzir a fila está o estabelecimento de reservas técnicas para retorno. Também estão sendo organizados protocolos para rotina de retornos de acompanhamento e de orientação a serem feitos pelo médico da Unidade Básica de Saúde. (C.A.)

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