A mediação de conflitos pode ser a saída para reduzir a violência nas escolas e até fora dela. A psicóloga e mediadora Lidercy Aldenucci vem realizando, desde o ano passado, treinamentos de diretores, coordenadores e professores de seis escolas estaduais para que eles se tornem mediadores de conflitos. Os resultados já são bem visíveis.
''Queremos desenvolver uma cultura de paz e explicamos que o diálogo é a base para diminuir a violência'', conta. Segundo a psicóloga, quando o relacionamento culmina com a violência, é sinal de que já havia algo por trás dessas situações. Pelo diálogo técnico, segundo ela, os mediadores são capazes identificar situações que podem desencadear esses atritos e que culminam com algum tipo de agressão. Escutar as partes envolvidas, respeitar a identidade de cada um e ajudar a encontrar novas soluções estão entre os ensinamentos da psicóloga (leia mais nesta página).
Muitas vezes uma agressão tem início com uma brincadeira de um aluno. O diretor da Escola Estadual Adélia Dionísio Barbosa, Marins Carlos de Souza, lembra de um aluno que enrolou uma cartolina, passou a bater nos outros e acabou quebrando os óculos de um deles. Se a direção não interviesse e não tivesse pedido para que os pais do estudante comprassem os óculos para o aluno, poderia gerar uma situação de violência. ''Nós chamamos os envolvidos para conversar e buscamos uma solução pacífica'', contou. Segundo ele, sempre que alguma situação estranha é identificada, os envolvidos são chamados para conversar.
A professora Maria Salete Duarte de Azevedo, da Escola Estadual professora Beahir Edna Mendonça, do Jardim Paraíso (Zona Norte), contou que de vez em quando os professores se deparam com agressões de alunos. ''Não chega a ser de grande proporção, mas se não tiver conduta firme pode resultar em um problema maior'', comentou. Em uma ocasião, a professora disse que descobriu que dois alunos estavam ameaçando os demais e se a escola não interviesse as ameaças poderiam resultar em brigas.
A psicóloga Lidercy ressalta que o relacionamento professor e aluno também precisa de alguns cuidados. ''Algumas vezes o modo de falar dos professores pode ser percebido pelo aluno de maneira agressiva e ele acaba se sentindo humilhado, procurando se vingar de alguma forma'', comenta. Segundo ela, a punição nem sempre acaba com o ódio que gerou a violência, mas a mediação pelo diálogo pode tentar entender os motivos e estabelecer alguma maneira de conciliar as partes.
Lidercy realizou um curso de mediação em 1994 em Curitiba e se capacitou como docente e pesquisadora na área e desde então vem realizando projetos e disseminando as técnicas de mediação em Curitiba, Santa Catarina, São Paulo e até em Portugal.
Em Londrina o projeto é realizado pelo Sesc em parceria com o Núcleo Regional de Educação (NRE), Promotoria de Justiça da Vara da Infância e Juventude e apoio da Unopar.

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