Mecânico não aparece para depor
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terça-feira, 29 de abril de 1997
Paulo Ubiratan 
Marcos BorgesÀ esperaDelegado Mello: venda de motocicleta seria motivo do crimeO mecânico Antônio Marcos da Silva, 22 anos, conhecido por Marquinho, acusado de ter matado na segunda-feira o vendedor Noedi Cleomar Casagrande, não se apresentou ontem como seu advogado havia prometido ao delegado Joaquim Antônio de Mello, do 3º Distrito Policial, que está presidindo o inquérito. A promessa agora é que ele se apresente hoje, às 9h30, para prestar depoimento.
Segundo o laudo preliminar do Instituto Médico Legal (IML), Casagrande recebeu seis tiros. Três deles foram disparados pela frente e os outros três pelas costas, quando a vítima fugia. A arma do crime foi um revólver calibre 38, que a polícia apreendeu com um parente do acusado. Uma testemunha disse que o Antônio Marcos, ao disparar o último tiro, teria dito: Este é para você não ameaçar mais ninguém.
O delegado ouviu ontem mais três pessoas sobre o homicídio. As investigações apuraram, até ontem à tarde, que a briga entre Marquinho e Casagrande teria sido motivada pela venda de uma motocicleta. O veículo foi comprado pela vítima e depois, por causa de atraso de multas, apreendido durante uma blitz da Polícia Militar. Casagrande teria ido diversas vezes até a casa de Marquinho cobrar o valor das multas. Teria inclusive ameaçado agredi-lo caso ele não lhe desse o dinheiro.
O crime ocorreu a 50 metros da casa do acusado, na rua José Benício Pinto, jardim Nova Olinda (zona oeste). Segundo uma testemunha que não quis se identificar, a vítima caiu de joelhos ao receber os cinco primeiros tiros. Marquinho teria se aproximado dele e disparado o último tiro, frontalmente. Casagrande teria caído de costas na calçada - minutos depois morreu.
A vítima participou diversas vezes de contestações políticas, no Calçadão, e chegou a ser candidato a vereador pelo PDT, em 1992. Seu corpo foi recolhido ao IML e levado para o Rio Grande do Sul para sepultamento.
O delegado do 1º Distrito Policial, Edmo Emergenegildo, espera ouvir hoje, às 14h30, Lúcia Mantovani, a principal suspeita de ter matado o vendedor de telefones celulares Osvaldo Proni. Ele foi morto com quatro tiros em frente ao número 120 da rua Manaus (centro).
Lúcia deveria ser ouvida ontem à tarde, mas familiares alegaram ao delegado que ela estava sob efeito de sedativos e não tinha condições de prestar depoimento. Cinco testemunhas já foram ouvidas pela polícia e acusam a suspeita de ter cometido o crime, ocorrido em frente ao prédio onde Proni morava.
Segundo o filho de Proni, Paulo Henrique, 19 anos, o pai manteve por três anos um caso amoroso com Lúcia. Segundo o rapaz, Proni havia se separado de Lúcia. Paulo Henrique afirmou que a mulher não se conformou com a separação: além de insistir junto a Proni para reatar o namoro, também teria amaeaçado sua família de morte. O porteiro do prédio, Pedro Arcanjo dos Santos, garante ter visto a suspeita interfonando minutos antes do crime para o apartamento de Proni. Ontem, foi a segunda vez que Lúcia prometeu ir depor na polícia e não compareceu.
Edmo Emernegildo disse que após ouvir a suspeita deverá incluir o inquérito em menos de 15 dias.


