Mário CésarPRESO POR ENGANOIvan Nery foi vítima do estelionatário Norberto e acabou condenadoASSAÍ - Os advogados do mecânico Ivan Custódio Nery, 43 anos, preso há 34 dias na delegacia de Assaí (36 quilômetros a leste de Londrina) e condenado a três anos de reclusão por estelionato, entraram anteontem com recurso no Tribunal de Alçada do Paraná, alegando erro judiciário no julgamento, ocorrido em maio de 94. A juíza de Assaí, Joseane Ferreira Machado Lima, nega o erro e culpa pela condenação os advogados que defenderam o mecânico na época, e que não recorreram a tempo.
Ivan Custódio Nery foi condenado no lugar do estelionatário Norberto Ivan Constâncio da Silva. Em 1989, Norberto comprou um carro de Ivan Nery e aplicou diversos golpes na região Norte do Estado com cheques roubados, juntamente com João Ramos da Silva. Silva foi inocentado no processo, segundo a juíza, por falta de provas.
Um dos advogados de Ivan Nery, Péricles Bento Lemos, disse que seu cliente foi julgado injustamente por confusão ocorrida no levantamento de documentos e provas, durante a montagem do processo. ‘‘O inquérito era contra Norberto Ivan Constâncio, que em 1989 aplicou golpes de compra de veículos com cheques roubados na região. O processo em Assaí era de um golpe aplicado contra Gaspari Jacinto dos Santos, morador em São Sebastião da Amoreira’’, explica.
A confusão teria se formado quando a promotoria de Assaí pediu informações nas delegacias da região sobre Norberto Ivan Constâncio e João Ramos Silva. ‘‘Em Ibiporã, o delegado havia feito um flagrante contra Ivan Nery e João Ramos da Silva, por estarem dirigindo com habilitação vencida. Ao dar a informação para o promotor, o delegado sugeriu que o Ivan poderia ser o Norberto. Com base nesta suposição, a promotoria fez a denúncia’’, afirma o advogado Lemos.
Ivan Nery foi preso no dia 14 de janeiro, quando esteve na delegacia de Cornélio Procópio para resolver um problema de trânsito. Os policiais tinham um mandado de prisão contra ele e, ao verem os documentos, cumpriram a ordem judicial. Ivan Nery alega que só então soube da condenação, mas não sabia o por quê.
O advogado afirma que ‘‘existem provas substanciais no processo que comprovam que Ivan é inocente’’. Entre as provas está uma reportagem da Folha em junho de 89, na qual Noberto foi identificado por Gaspari dos Santos, de Assaí, através de fotografia. A matéria falava de golpes aplicados na região. Lemos ressalta que Gaspari fez dois reconhecimentos na delegacia, onde declarou não ser Ivan Nery o autor do golpe aplicado contra ele.
‘‘Como é que a Justiça cita Ivan Nery como tendo endereço incerto e não sabido, sendo que poderia ter consultado o delegado de Ibiporã e localizá-lo, em vez de julgá-lo à revelia’’, questiona o advogado. ‘‘Como é que meu cliente poderia saber que estava sendo julgado se mora em Londrina e foi citado por editais?’’.
O advogado admite que o recurso pode demorar para ser apreciado. Enquanto isso, Ivan Nery terá que aguardar a decisão da Justiça na cadeia de Assaí. Caso o Tribunal reconheça o erro do judiciário, Péricles Lemos deverá entrar com pedido de indenização contra o Estado. ‘‘Além de ter prejuízos financeiros, agora Ivan tem prejuízos morais’’.

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