Curitiba O mecânico Carlos Ribeiro Moraes, 32 anos, morador de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, acusa quatro policiais da Delegacia de Furtos e Roubos de Curitiba de tortura. Segundo seu advogado, Dálio Zippin Filho, o mecânico foi abordado pelos policiais no meio da rua e apesar de estar com toda a sua documentação em ordem, e da sua motocicleta também, ele foi algemado e levado para a delegacia sem nenhuma explicação. Lá, ele teria sido espancado e mantido pendurado num cavalete, conhecido como ''pau-de-arara'', durante boa parte do dia.
Conforme a denúncia, Moraes teria sido mantido na delegacia o dia todo. Segundo o advogado, os policiais amarraram no rosto do seu cliente uma blusa de lã totalmente molhada, que impedia Moraes de respirar. Por várias vezes o mecânico teria desmaiado. Os policiais queriam que Moraes confessasse sua participação numa quadrilha de roubo de cargas. Como ele disse que não sabia de nada, foi liberado por volta das 17 horas.
O advogado, integrante da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), entrou com uma representação na Procuradoria Geral de Justiça. O órgão encaminhou o caso para a Procuradoria de Investigações Criminais (PIC), onde a investigação será concluída. Os dois órgãos são vinculados ao Ministério Público estadual.
A denúncia também foi levada à Corregedoria da Polícia Civil. O mecânico já foi ouvido pelo corregedor Edson Faria de Pilati, que encaminhou a investigação para a Corregedoria de Assuntos Internos (CAI). A corregedoria agora aguarda os laudos do Instituto Médico Legal (IML), dos exames de corpo delito, que comprovarão ou não as agressões. Nos próximos dias, os policiais também devem ser ouvidos. O corregedor garante que se ficar comprovado que houve tortura, os policiais serão enquadrados no Estatuto da Polícia Civil, que prevê expulsão para casos como esse.
Com medo de sofrer represálias, o mecânico mudou de endereço. O advogado conta que Moraes ainda sente dores nas pernas e está traumatizado, mas quer que o caso seja divulgado para que outras pessoas inocentes não sejam vítimas de tortura como ele.
O delegado-chefe da Delegacia de Furtos e Roubos, Gerson Machado, disse ontem que na mesma noite o mecânico voltou à delegacia, acompanhado de um cunhado seu, que é policial militar. Ele foi ouvido pelo delegado-adjunto e encaminhado para o IML, onde fez exames de corpo delito. ''Eu não me omiti. Não tenho conhecimento de que isso aconteça aqui dentro, mas se algum policial teve a infelicidade de cometer um delito, certamente vai pagar porque o pessoal da corregedoria é bastante rígido e já está investigando o caso'', informou.

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