O mecânico Wenceslau da Silva Filho, acusado de integrar a quadrilha que roubou o depósito da Receita Federal em Maringá no início de agosto, disse ontem em depoimento que o mentor do crime foi o contrabandista Paulo Soares, que mora no Paraguai. Silva Filho, que usava também o nome de José Luiz Corrêa e se apresentava como médico, contou ao juiz substituto Alexei Alves Ribeiro, da Vara Criminal Federal, que durante os 90 dias da escavação do túnel até o depósito trabalhou apenas com outras três pessoas. ''Todas contratadas por Paulo Soares.''
Uma das ''regras'' entre os integrantes do grupo, segundo ele, era não trocar informações pessoais. Por isso Silva Filho alega conhecer os outros três apenas como Júnior, Bebeto e Alisson. Todos foram contratados na fronteira entre o Mato Grosso e o Paraguai, e orientados por Soares como agir. Usando o nome falso, Silva Filho locou o terreno ao lado do depósito da Receita Federal e começou a montar uma ''transportadora''.
Para não chamar a atenção, carretas e caminhões sempre circulavam pelo pátio do empresa, que chegou a contratar uma secretária durante 15 dias. ''Em nenhum momento levantamos suspeitas'', disse Silva Filho. Junto com os outros três contratados, foram 90 dias escavando o túnel que alcançou o depósito. Ele alega não ter entrado no depósito, e que para fazer o serviço Soares contratou mais 20 homens no Paraguai. As quatro carretas usadas para transportar a mercadoria foram compradas em Maringá.
Ele disse ao juiz que receberia R$ 50 mil pelo serviço, diretamente de Paulo Soares, mas que não chegou a pegar o dinheiro. No dia 5 de agosto, um domingo, quando já haviam carregado quatro carretas de mercadorias, Silva Filho fugiu para São Paulo. Ele foi preso no dia 9 de setembro, na casa dos pais, em Balneário Camboriú (SC). Ontem ele disse ao juiz que muitas vezes se arrependeu e pensou em desistir do roubo, mas não teve coragem.
Um policial federal, que fazia a segurança do acusado, revelou à Folha que os demais integrantes da quadrilha estão identificados e com a prisão preventiva decretada. Auditoria da Receita Federal indica que o roubo rendeu R$ 1.676.318,27. Pelo menos R$ 1,2 milhão de processos já encerrados, e que aguardavam liberação para leilões ou doação. Toda mercadoria roubada, ainda na versão de Silva Filho, foi levada para o Paraguai.

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