O mecânico de manutenção Darci Alves Ribeiro, 41 anos, confessou ontem ter matado a ex-mulher, a empregada doméstica Joana Bezerra Ribeiro, 32 anos, e o companheiro dela, o fosseiro Cláudio de Alcântara, 26, no sábado passado, em um ponto de ônibus na Rua Serra dos Parecis, no Jardim Bandeirantes, zona oeste de Londrina. Ribeiro, acompanhado pelo advogado Luiz Gaya, se apresentou ontem à tarde ao delegado Carlos Marcelo Sakuma, do 3º Distrito Policial. Indiciado, vai responder processo em liberdade.

O mecânico disse que se arrependeu pelas mortes, mas que ''perdeu a cabeça'' ao ver o casal abraçado no ponto de ônibus. ''Matei a mulher da minha vida'', lamentou. Segundo ele, os dois ficaram casados por 16 anos e têm dois filhos, de 14 e 13 anos. ''Vivemos juntos até o dia 14 de novembro, quando ela saiu de casa para ir trabalhar e não voltou mais'', disse. Segundo ele, o casal vinha tendo problemas há algum tempo. ''Eu suspeitava que ela estava me traindo, tinha mudado seu jeito. Perguntava, mas ela negava tudo. Tínhamos algumas discussões, mas nunca a maltratei'', contou.

Na entrevista com a imprensa, Ribeiro entrou em contradições. Primeiro disse que sabia onde a ex-mulher estava morando com o fosseiro. Depois negou, disse que não sabia que ela morava por ali e que passava pela rua por acaso quando avistou os dois no ponto de ônibus. ''Eu fui falar com ela, porque minha filha de 13 anos precisava de uma mãe do lado. Mas ele veio para o meu lado, aí eu saquei o revolver para me defender'' , argumentou. Ele disse que não sabia quantos tiros disparou contra Alcântara e nem contra a mulher. De acordo com o mecânico, a ex-mulher teria gritado e avançado contra ele que, para se defender, desferiu uma facada nela e, em seguida, atirado. ''Eu não sabia mais o que estava fazendo'', chorou.

Segundo o mecânico, não houve premeditação no crime. De acordo com ele, costumava andar com uma faca para se defender e, depois que a mulher o abandonou, passou a andar armado por medo do novo companheiro dela. ''Um homem que tira a mulher de outro é capaz de qualquer coisa'', justificou. Mas o delegado Sakuma não acredita na versão do marido. ''Para mim, está mais do que claro que houve premeditação'', afirmou. Parentes de Joana disseram ao delegado que o ex-marido a maltratava e a humilhava.

De acordo com o depoimento de testemunhas, Darci apareceu no ponto de ônibus, por volta das 7 horas, e desferiu um golpe de faca, atingindo profundamente o pescoço de Joana. Depois de caída, a empregada doméstica levou dois tiros e morreu na hora. Segundo as testemunhas, Cláudio teria saido correndo e gritando por socorro, enquanto Ribeiro recarregou a arma e o perseguiu, atingindo-o no peito. Ele chegou a ser socorrido pelo Siate, mas morreu dentro da ambulância.

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