Mecânico aguarda reparação de erro
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sábado, 08 de março de 1997
Alexandre Sanches Da Redação 
Milton DóriaDano irreparávelNery, ao lado da mulher, Conceição: enfrentando a desconfiança gerada pela acusação e prisão Uma semana após ter sido libertado através de habeas corpus da cadeia de Assaí (36 quilômetros a leste de Londrina), onde cumpria pena por um crime que não cometeu, o mecânico londrinense Ivan Custódio Nery, 42 anos, tenta se readaptar ao cotidiano. Inconformado com os 43 dias de prisão injusta, ele pede Justiça, esperando que o recurso do erro judiciário seja analisado rapidamente.
Nery foi condenado a três anos de reclusão por estelionato no lugar de Norberto Ivan Constâncio, que está preso em Ribeirão Claro por tráfico de drogas. Os nomes semelhantes e um erro de informação fornecida pela delegacia de Ibiporã, em 1989, provocaram o indiciamento de Nery. Como constava nos autos que seu endereço era incerto e não sabido, ele foi citado por edital, julgado à revelia, e condenado.
A prisão do mecânico se deu por acaso. Em janeiro, tentou resolver um acidente de trânsito na delegacia de Cornélio Procópio. Ali, descobriu que os policiais tinham um mandado de prisão expedido contra ele. Só então ficou sabendo do processo e da condenação.
Em liberdade, Nery voltou ao convívio da família, recebeu visitas de amigos e conheceu o primeiro neto, Diogo. Na semana passada, buscou o carro batido que ficou retido na delegacia de Cornélio.
A empresa em que ele trabalhava até o dia da prisão encerrou atividades em Londrina. O que mais o incomoda não é ter perdido o emprego, mas o constrangimento que passa na rua. As pessoas me reconhecem e comentam da prisão. É duro ter que explicar que sou inocente, porque nem todos acreditam nisso, comenta.
Para a Justiça, afirma que irá provar, nem que seja em última instância, a sua inocência. Eu tenho provas que sou inocente. Infelizmente a Justiça quer que eu prove isso, mas foi ela que errou.
Nery diz que a prisão foi boa em um aspecto: passou a conhecer melhor sua mulher Conceição Urtado Nery, 45 anos. Eu conhecia somente um lado dela. Agora, estou conhecendo melhor uma pessoa batalhadora e que mostrou estar sempre do meu lado.
O promotor de justiça de Assaí, Renato de Lima Castro, que entrou com o pedido de habeas corpus, também pediu a anulação da revisão criminal. Se este pedido for aceito, o processo retornará para mim. Aí o Ministério Público vai analisar se o Ivan Custódio Nery era mesmo o réu que estava sendo processado, afirma.
Com este recurso, Nery ainda não consegue recuperar a condição de primário (sem crimes) perante à justiça. Ele terá que responder ao processo normalmente e provar que é inocente. Renato Castro disse haver indícios de que o processo será anulado definitivamente. No habeas corpus, ele não se baseou no erro de justiça, mas num vício na citação do réu.
O julgamento se deu à revelia. Ele foi citado em edital, e por não morar em Assaí, não poderia saber do indiciamento. A citação foi inválida, pois não deu direito à defesa do réu, ressalta. O promotor espera que o processo seja analisado e o pedido de anulação aceito. Então, o desafio de Ivan Nery será provar a sua inocência.


