A partir do ano que vem começa a funcionar o ensino de nove anos na rede municipal. Enquanto muitos pais ainda se acostumam com a mudança, outra pode acontecer nos próximos anos. O ministro da Educação, Fernando Haddad, encaminhou ao Palácio do Planalto uma proposta, por meio de nota técnica, de mudança no tempo mínimo de ensino obrigatório, dos atuais nove para 14 anos. A proposta deve ser avaliada pela Casa Civil da Presidência da República e se for aprovada, encaminhada ao Congresso Federal como projeto de lei. Em caso de aprovação, a expectativa é de que a transição seja realizada dentro de cinco a seis anos.
Com a mudança, as crianças teriam de ser matriculadas na escola aos quatro anos de idade e permanecer até os 17. Esse período abrange a pré-escola (quatro e cinco anos), ensino fundamental (seis a 14) e ensino médio (15 a 17). Atualmente, a obrigatoriedade é apenas para o ensino fundamental. O ministro usa como um dos argumentos um estudo do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) que comprova que uma criança com acesso à pré-escola tem 32% mais chances de concluir o ensino médio.
Para a secretária municipal da Educação, Carmen Sposti, a mudança precisará contar com esforços mútuos e um período de transição. ''É uma medida positiva, mas que deve ser feita com planejamento. Tem de haver conjugação de esforços federais, estaduais e municipais para que seja viabilizada'', analisou. Além disso, ela defende a reestruturação das 11 CEIs (Centro de Educação Infantil) e das 67 unidades conveniadas no município. ''Tudo deverá ser readequado, desde as salas, mobílias, até mesmo alimentação diferenciada. É necessário haver um espaço lúdico, já que as crianças de quatro e cinco estão em outro ciclo da infância'', lembrou.
A secretária defende ainda a retomada de oportunidade para os jovens no ensino médio. ''Precisamos prepará-los para o mercado de trabalho. Alguns se vêem desestimulados por não terem perspectivas de ingresso no ensino superior. Assim, devemos nos atentar para um encaminhamento profissional'', completou. Segundo ela, a ação deve apresentar resultados em dez anos, após sua implantação. ''Será um ganho para a população, mas não é uma tarefa simples. Precisamos de condições para realizar um trabalho de qualidade.''
Marizete Araldi, pedagoga da equipe de ensino do Núcleo Regional de Ensino, também defende que o sucesso da ação vai depender do esforço público, sobretudo, para que as verbas sejam aplicadas com essa prioridade. ''Do jeito que está a rede de ensino, não há estrutura física. Além da readequação para aumento da capacidade da rede, a mudança vai demandar um maior número de recurso humano'', afirmou. Apesar disso, ela destaca: ''Acreditamos que será muito proveitoso, principalmente pela universalização do ensino. Quem paga, tem acesso ao ensino antes dos seis anos. Quem não tem dinheiro, fica esperando para entrar na escola'', disse a pedagoga. (Com informações do Ministério da Educação).

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