Telma Elorza
De Londrina
‘‘Por incrível que pareça, hoje são as universidades que menos oferecem condições de abrigar alunos especiais. Ou seja, a visão da inclusão deve ser mudada em todos os níveis. É preciso sair do círculo vicioso que se criou.’’ A opinião é da coordenadora de Educação Especial do Ministério da Educação (MEC), Marlene Gotti, que esteve ontem em Londrina, participando do 2º Congresso Brasileiro Multidisciplinar de Educação Especial, que está sendo realizado até sábado, no Cine-Teatro Ouro Verde em Londrina. Segundo a coordenadora, ‘‘antes da discussão sobre a inclusão do aluno na escola, é preciso ser debatida a questão das universidades que formam os formadores’’.
Marlene Gotti entende que o sistema educacional deve estar aberto a todos os tipos de alunos, independente de suas condições, sejam elas étnicas, deficiências físicas ou mentais, culturais ou apenas sociais. ‘‘As escolas terão que abrir suas portas e, mais que garantir matrículas, deverão assegurar serviços que atendam portadores de necessidades especiais. E isto deve alterar substancialmente a formação de professores’’, diz.
Para a coordenadora de Educação Especial, a política de inclusão escolar de alunos com deficiências no ensino regular, prevista na Lei de Diretrizes e Bases (LDB) da Educação, passa hoje por todos os desafios possíveis e imagináveis. O primeiro deles é, segundo ela, justamente na questão da formação do professor que vai trabalhar com estas crianças.
Nas universidades, segundo a coordenadora, o problema pode ser parcialmente resolvido através de uma portaria que está para ser assinada pelo ministro da Educação, Paulo Renato Souza. Pela portaria, para que as novas universidades sejam reconhecidas, é preciso que cumpram vários requisitos para abrigar alunos especiais. Alguns dos requisitos seriam eliminação de barreiras arquitetônicas, reserva de vagas nos estacionamentos, adequação de banheiros, aquisição de computadores e impressoras em braile, contratação de intérpretes da linguagem de sinais e flexibilização da avaliação, entre outros. ‘‘Já a questão das universidades estabelecidas deverá ser tratada posteriormente’’, explica.
A sociedade também deve estar atenta para a sua parcela de responsabilidade na mudança da visão. ‘‘Até agora, a questão da educação especial esteve segmentada às áreas específicas da educação e saúde’’, diz. De acordo com ela, um congresso como o que está sendo realizado em Londrina é importante para a mudança.
‘‘Mas mesmo aqui vemos os reflexos da postura de segmentação. Além de profissionais das áreas listadas (educação, educação física, fisioterapia, fonoaudiologia, medicina, odontologia, psicologia, serviço social), deveriam estar presentes engenheiros civis, arquitetos, designers, empresários, administradores escolares, professores de várias licenciaturas e várias outras áreas de confluência’’, avalia.
Para ela, antes da LDB, a questão de ter alunos especiais nas escolas era apenas uma questão de aparelhamento. ‘‘Mas ignorava-se a história pessoal de cada aluno. Dois bebês que chegam à mesma escola de educação infantil com problemas de audição não podem ser tratados igualmente. É preciso ver que um já tem um histórico de acompanhamento profissional enquanto o outro chega sem nada. O que precisa ser avaliado é o tipo de resposta que a escola precisa dar a cada um’’, afirma.Representante do Ministério da Educação afirma que instituições de ensino superior não abrigam alunos especiais
Josoé de CarvalhoDEFESAA coordenadora de Educação Especial do MEC, Marlene Gotti: ‘‘Visão de inclusão desses alunos deve ser mudada’’

mockup