Um programa de reciclagem do bagaço da cana-de-açúcar, desenvolvido há dois anos por alunos da Escola Municipal Monteiro Lobato, de Foz do Iguaçu, será adotado pelo Ministério da Educação (MEC). O produto final do bagaço é o papel reciclável, que é transformado em agendas, cartões, papel de presente, caixas e uma série de produtos artesanais, vendidos em bazares. A renda obtida com a venda desses materiais ajuda a custear o projeto.
A idéia de transformar bagaço em papel surgiu depois que uma professora viu um vendedor de caldo de cana nas proximidades da escola queimando o bagaço em uma área verde de proteção ambiental da usina de Itaipu. Os professores decidiram, então, conscientizar o vendedor sobre os danos ao meio ambiente e utilizar o bagaço.
O processo usado na escola Monteiro Lobato é semelhante ao da reutilização de papéis que são jogados no lixo. ‘‘A técnica de reciclagem do papel é um processo comum. Porém, a transformação do bagaço de cana-de-açucar em papel é inédita’’, afirma a coordenadora do projeto, Maria de Lourdes Rosseto.
A transformação de bagaço de cana-de-açúcar em papel começa com a separação da casca e da fibra. O produto é dissolvido numa solução de soda cáustica, onde permanece por cinco dias. Depois, é triturado em um liquidificador industrial e manuseado pelos alunos em telas de prensagem que, finalmente, dão a forma final ao papel.
Mesclando papéis que estão nas lixeiras das salas de aulas com o bagaço, os alunos conseguem fabricar papéis mais claros e mais resistentes. Para obter papéis coloridos, eles usam anilina no processo de moagem.
Com os papéis, são confeccionados embrulhos para presente, cartões de visita, convites, agendas, porta-lápis e caixas. A diretora da escola, Ivete Royer Cembranel, afirma que o mais importante do programa não é o resultado final da reciclagem, mas a conscientização dos alunos na preservação do meio ambiente.
TV Escola O trabalho realizado pela Escola Monteiro Lobato, que já foi considerado exemplo pela Universidade Ambiental, de Curitiba, será adotado pelo MEC. A reciclagem será apresentada para 100 mil alunos de todo o País através de um vídeo, que será exibido no programa da TV Escola.
Segundo a coordenadora do MEC no Paraná, Vânia Oliveira, o objetivo será a implantação de programas semelhantes em todas as escolas do País. A coordenação regional do MEC apontou Foz do Iguaçu como exemplo de preservação ambiental envolvendo estudantes do ensino primário.
conscientização A Escola Monteiro Lobato constatou que os alunos que participam do programa de reciclagem do bagaço da cana-de-açúcar têm maior conscientização ambiental. Dentro da escola, eles mostram mais cuidados com o meio ambiente que os alunos que estão fora do programa.
Uma das demonstrações da ampliação na conscientização é a reciclagem de lixo. Esses alunos, que estão entre a terceira e quarta séries do primário, instalaram tambores diferenciados por cores para separar o lixo e fiscalizam o uso pelos demais estudantes.
A aluna da terceira série primária Angela Cristina Marcelino, de 8 anos, diz que o trabalho de reciclagem da fibra da cana está ajudando a preservar a natureza. ‘‘Antes, os vendedores queimavam o bagaço e agrediam o meio ambiente. Hoje, esses restos são transformados em papéis’’, afirma.
Larissa de Souza, de 9 anos, que participou da gravação do programa da TV Educativa do MEC, diz que ‘‘se soubermos usar o planeta Terra, veremos as maravilhas que podemos obter’’ e cita o cientista francês Antoine Lavoisier: ‘‘Na natureza, nada se cria e nada se perde. Tudo se transforma’’.

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