Londrina - "Por ser violento, durante uma discussão ele me empurrou e eu perdi o dente da frente. Isso foi há meses, mas o sentimento é o mesmo. Me sinto constrangida porque não tem como não notar", relata Maria (nome fictício), mãe de três filhos.
Ela se separou do companheiro e foi atrás de um dentista. "Queria muito um implante, mas é mais de R$ 1,5 mil. Não tenho como pagar. Agora, com essa notícia (lei que garante o atendimento prioritário para cirurgia plástica reparadora e tratamento ortodôntico na rede pública) fiquei muito feliz. Talvez não seja tudo aquilo que a gente espera, mas já um começo para mim e para outras mulheres. A gente passa a ter um amparo a mais", desabafa.
Maria é apenas uma das milhares de mulheres que carregam um passado ou até um presente marcado pela violência. Em Londrina, só a Delegacia da Mulher registra uma média de 270 Boletins de Ocorrência mensalmente. Deste total, cerca de 50% resultam em um inquérito policial. Na maioria desses casos, as agressões físicas ocorrem no rosto e também em mãos, braços e pernas, lesões oriundas do ato de defesa.
Porém, para que as mulheres tenham prioridade no atendimento, será preciso comprovar que é portadora de deficiência ou deformidade em decorrência de agressão, através de um laudo médico. A lei municipal 12.080 ainda esclarece que "realizado o diagnóstico e comprovada a agressão e o dano dela decorrente, deverá ocorrer a inscrição compulsória da mulher no cadastro do SUS".
Os dispostos da lei se estendem e se aplicam também em todos os seus termos, às crianças e aos adolescentes e inclui ainda acompanhamento psicoterápico. Mas embora a lei já ter sido publicada no Diário Oficial, há muito o que ser definido ainda. De acordo com Lucimar Rodrigues da Silva, do Centro de Referência e Atendimento à Mulher (CAM). deverá ser marcada uma reunião nos próximos dias para definir como será o encaminhamento para os hospitais e em qual unidade irão se concentrar os atendimentos. (M.O.)

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