Marcelo AlmeidaO QG da 5ª Região Militar: Sade acusa superiores de intrigaOs problemas militares do 1º tenente reformado Jorge Carlos Sade começaram, segundo ele, depois que ele se formou na Academia Militar das Agulhas Negras. Ele conta que ficou indeciso em continuar a carreira militar e pediu desligamento do Exército. ‘‘Tinha estudado muito e estava pensando se meu destino era controlar a vida dos soldados’’.
Essa dúvida fez com que Sade ficasse afastado da atividade militar por cerca de seis meses, o que criou uma marca negativa em torno de seu nome. ‘‘Quando cheguei a Curitiba fui pressionado de cara, o que fez com que eu solicitasse transferência, infelizmente não atendida’’.
Um dia foi chamado até o gabinete do comandante, coronel João da Silva Rabello, onde tiveram uma discussão sobre a avaliação do comando sobre os valores morais de Sade, o que motivou a prisão do tenente por 15 dias.
Em seguida Sade foi até Porto Alegre para fazer exame de admissão para a Escola Técnica do Exército. Lá, contraiu uma forte laringite, que o forçou a abandonar os exames. Chegando à Curitiba ele foi internado no Hospital Militar para tratar da infecção na garganta, e recebeu a informação de que deveria aguardar a reforma em casa.
Desde então, inconformado, Sade iniciou uma campanha para ser reintegrado ao Exército. Chegou a enviar cartas e diversos documentos a comandantes de quartel, ministros e até presidentes da República, sempre sem sucesso. Seu objetivo era mostrar que a dita incapacidade para o serviço militar havia sido determinada por uma junta médica à qual ele garante jamais ter se submetido.
Sade diz que o pior de tudo é que, mesmo levando uma vida normal, foi envolvido numa trama que o destruiu moralmente. ‘‘Não passa um dia sem que eu não pense no que fizeram comigo por perseguição pessoal. Me mataram por dentro.’’
Ele afirma que sempre foi heterossexual, tendo morado com seis diferentes companheiras, e desafia: ‘‘E se eu não fosse assim ? Por acaso alguém que seja delicado não tem o direito de ser competente e ocupar o seu espaço na sociadade?’’. (G.V.)

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