'Me amordaçaram e me colocaram no porta-malas'
A tragédia que tomou conta da família do taxista Nelson Soares da Silva é uma ameaça constante para outros trabalhadores da categoria, que colecionam histórias de assalto. O motorista de táxi Paulo Francisco foi uma das vítimas mais recentes. Na semana passada, ele foi assaltado por um casal e teve os pés e mãos amarrados.
''Colocaram um pano na minha boca, amarraram e me puseram no porta-malas. Só me tiraram lá de dentro porque eles não conseguiam tirar o toca-CDs e me mandaram ajudar'', relatou ele, que foi abandonado em um cafezal perto da Estrada dos Pioneiros (Zona Leste), onde Silva foi encontrado morto. ''Sorte que consegui me soltar e pedir ajuda'', afirmou.
Filha e esposa de taxistas, uma mulher que não quis se identificar relatou que os familiares dos motoristas vivem em constante angústia por causa da ameaça da violência que ronda a profissão. ''Eles estão sempre em situação de vulnerabilidade. E se por um acaso recusam fazer corridas para pessoas suspeitas, podem ser mortos por esse motivo'', disse.
Segundo ela, cada vez que algum familiar tenta ligar para o pai ou para o marido e eles não atendem, o pânico toma conta dos pensamentos. ''O mesmo acontece se eles demoram a atender o rádio. Todos pensam em parar e mudar de profissão, mas não há oportunidades no mercado''. Mãe de um garoto de 11 anos, ela diz que tem feito muito esforço para garantir um futuro melhor ao filho. ''Dirigir táxi é uma profissão de risco. Se depender de mim, ele não precisará ser taxista.''(C.A.)





